DEDICATÓRIA

 

Blog dedicado a meu pai

JOSÉ AUGUSTO SIMÔES

Nasceu em 1922 e faleceu em 2016

E ao seu povo que o viu nescer.

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem e ao poeta.

Do seu filho

Rogério Martins Simões

Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

SAUDADE

 

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 (Foto de  Padre Pedro)

 

SAUDADE

José Augusto Simões

 

Falei à serra da Amarela

Que respondeu a chorar

Uma menina tão bela

Já ninguém a quer amar

 

Foste por Deus aí colocada

Ninguém te irá esquecer

Por todos serás amada

OH! Serra não vais morrer.

 

Conhecem o teu valor

Todos te veem com agrado

Agradecem e dão louvor

O pasto que deste ao gado

 

Tanta gente por ti passou

Por essa serra pitoresca

Por momentos se sentou

Tu lhe deste água fresca

 

Eu que nunca fui pastor

Por ti fiquei enfeitiçado

Ia ver-te por amor

E fiquei teu namorado

 

Tu me conheces de criança

Ia ver-te com alegria

Fiz contigo uma aliança

Para ver voar a cotovia

 

Já não vejo os pastorinhos

Que tu vias com agrado

Só existem os passarinhos

Na serra acabou o gado

 

Já não te posso visitar

Como em criança o fazia

Para ver as lebres saltar

E ouvir o piar da cotovia

 

Estou velho, vivo na cidade,

Escrevo-te estas linhas

São versos de saudade

Chorando saudades minhas.

Lisboa, 3 de Setembro de 2011

 

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Sábado, 7 de Março de 2015

Meu amor deu-me uma rosa

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MEU AMOR DEU-ME UMA ROSA

José Augusto Simões

 

Meu amor deu-me uma rosa

Do jardim da sua mãe:

Uma rosa tão mimosa

Nem sei o valor que tem.

 

Eu tinha a rosa na mão

Não sabia onde a guardar

Guardo-a no teu coração

Enquanto a rosa cheirar.

 

Se a tiro da minha mão

Outras a podem cheirar

- Eu só tenho um coração

Guardado para te dar.

 

Se me deres o teu coração

O teu ao meu vou juntar:

Assim, num só coração

No meu jardim vou guardar.

 

O jardim da minha mãe

Não tem rosas ao luar

Só tinha a que te dei, meu bem

Já não tem outra para dar.

 

Lisboa 4 de agosto de 2013

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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

O OUTEIRO

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O OUTEIRO

José Augusto Simões

 

Pensei em subir ao outeiro

Para ver as mais lindas flores:

Fiquei cercado pelo nevoeiro

E por flores secas sem cores.

 

Era muito cedo e esperei,

Pela luz do meu desencontro:

Vi nascer o astro rei

Que veio ao meu encontro.

 

Quando o sol brilhou

Ficou tudo num manto:

Tudo se transformou

Era assim o meu encanto.

 

Ficou linda a paisagem

De matos todos garridos

Estavam bem disfarçados

Todos os matos floridos.

 

Quando olhei para o alto,

Avistei uma planta airosa.

Subi ao cume num salto

E encontrei uma linda rosa.

 

A rosa era muito nova,

Nem sequer lhe pus a mão,

Mas deixei-lhe uma trova,

Que se espalhou pelo chão.

 

E um canto do céu desceu,

Logo quis saber quem era,

Uma voz me respondeu:

Que era a linda primavera.

 

Quando ouvi tal alegoria

Todo o meu corpo estremeceu

Dei um grito de alegria

“A Primavera não morreu”

Lisboa 2010

 

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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Beira Serra

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BEIRA SERRA

José Augusto Simões

 

Conheço a Beira Serra

É bonita não é feia:

Montanhas, montes e vales

Muita terra e pouca areia.

 

Os matos dos seus terrenos,

Cheios de encanto e beleza,

Todos ali foram criados

Pelo poder da natureza

 

Falando da sua existência

Não é uma palavra em vã

Toda a Beira Serra começa

Na linda vila da Lousã

 

Chegando ao Vilarinho

Começa a subir e não erra:

Três Concelhos se juntam

Góis, Arganil e Pampilhosa da Serra.

 

Três serras bem conhecidas

Fazem a Beira mais bela:

Serra da Lousã e do Açor

E a linda serra da Amarela

 

Havia tantas aldeias

Dispersas por todas as serras

Todas tinham muita gente

Cultivando as suas terras

 

Era tudo gente pobre

Todos mudaram de ideias

Pensaram mudar de vida

Abandonaram as aldeias

 

Era gente de trabalho

Conseguiram uma vida boa

Emigraram para o estrangeiro

A maior parte para Lisboa

 

As aldeias abandonadas

Ruas estreitas e vielas

São agora habitadas

Por veados e gazelas

 

Pudera voltar a subir

Do Vilarinho ao Trevim

Vendo esses frescos matos

E a flor do alecrim

 

Pudesse descer outros caminhos

Com alegria e saudade

Iria fazer a última visita

À Senhora da Piedade.

 

Maio de 2008

 

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Fui ao rio apanhar trutas

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FUI AO RIO PARA VER TRUTAS

José Augusto Simões

 

Fui ao rio para ver trutas

Num dia de muito frio

Mas só encontrei grutas

Nem sequer havia rio

 

Apareceu uma menina

A pouca distância se sentou

Onde estás era uma mina

Que a natureza aí deixou.

 

Vi que vinhas enganado

De longe te acompanhei.

Ficaste admirado

Dos passos que por ti dei.

 

A truta que queres ver

Aqui a tens a teu lado

Trago uma carta para ler

Para recordar o passado…

 

É um passado de amor

Escrita que a carta contém.

Eu não sinto qualquer dor

Fizemos tudo por bem.

 

Segredos que a vida tem

Só o sabemos os dois

Nem o sabe minha mãe

Nem o saberá depois

 

Segredos que a vida tem

É uma coisa sagrada

Só tu o sabes meu bem

Ninguém pode saber nada.

 

Lisboa, 19 de Agosto de 2013

 

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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

ÁGUA DA FONTE

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ÁGUA DA FONTE

José Augusto Simões

 

Fui buscar água da fonte,

P´ra minha casa levei,

Passei uma velha ponte,

Outro caminho não sei.

 

Deitei-o na cantareira,

No dia seguinte voltei,

Quando cheguei à lareira,

O Cântaro não encontrei.

 

Quem a minha água tirou,

Sabia que ela era minha:

Água e o cântaro levou

Da minha casa velhinha.

 

O cântaro da cantareira,

Eu sei bem quem o levou,

Fez isso por brincadeira,

Mas bem sabe que pecou.

 

Deixou um papel escrito:

- Muito te quero dizer

Sabes bem o que tens dito…

Foste à fonte sem me ver.

Lisboa, 18 de Agosto de 2013

 

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Segunda-feira, 5 de Maio de 2014

CONVITE

 

 

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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Menina da rosa branca

 

 

 

(DEGAS)

 

 

MENINA DA ROSA BRANCA

José Augusto Simões

 

Menina da rosa brancaGrandOptical 

Que usas no teu cabelo?

-A rosa a todos encanta

Apanhei-a no Restelo.

 

Essa rosa tão bonita

É igual ao teu andar.

A rosa que tão bem te fica

Lindo coração para amar.

 

Essas palavras de amor

A mim não dizem nada

Agradeço o seu louvor

Não fico apaixonada.

 

Esses teus olhos brilhantes

Com tua face rosada

Fazem parar os galantes

Que te querem p´ra namorada.

 

Podem parar à vontade

A todos digo que não

Ainda não tenho idade

Para dar o meu coração.

 

Todos olham rosa tão bela

Apanhada no Restelo

Muitos a morrer por ela

Quando está no teu cabelo…

 

A rosa do meu cabelo

Ninguém a pode tirar

Apanhei-a no Restelo

Numa noite de luar.

 

Usa a rosa no cabelo,

Não ponha a rosa ao peito:

Podem julgar que és modelo

E roubar-te a rosa e o jeito…

 

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2012

(à menina da Rosa Branca da Grandoptical do Colombo)

 

 

 

publicado por poetaromasi às 18:20
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Papoilas da alma lido por José SoaresTeixeira

publicado por poetaromasi às 17:56
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

EU VIA O MILHO A CRESCER

(Foto de Padre Pedro)

EU VIA O MILHO A CRESCER

José Augusto Simões

 

Quando eu era rapazinho

Via o milho embandeirado

No passal do meu vizinho

Estava o milho bem regado

 

Para ver as espigas crescer

Tinha que ser bem pensado

Pois tudo o que queria ver

Tinha que ser autorizado

 

Eu pedi ao meu vizinho

Homem de meia-idade:

- Podes ir mesmo sozinho

Dou-te toda a liberdade

 

- Para veres as espigas crescer

Só de noite pelo luar

Muitas coisas, tu vais ver:

Terás muito para contar

 

Para vos contar o que via

Cheguei ao milho bem cedo

Vi assim o que queria

Confesso que tive medo

Antes de amanhecer

Ouvi a rã coaxar

Passou a rola a gemer

E o grilo passa a cantar

 

Quando o sol estava a raiar

Chega o coelho sem guinchar

A lebre sem berrar

A perdiz a cacarejar

O pombo a arrulhar

O pardal a chilrear

O melro a assobiar

O rouxinol a trinar

E a cotovia a cantar

 

Depois de tanta alegria

Chegou a águia a gritar

Leva o coelho em agonia

Tudo a fugir e a chorar

 

De triste também chorei

Eu já não via ninguém

Foi assim que acordei

Nos braços de minha mãe

 

Lisboa, 28 de Setembro de 2012

(Poema registado no IGAC, direitos de autor reservados)

publicado por poetaromasi às 18:35
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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