DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

POESIA NO PRATO

IMG_1236.JPG

 

 

POESIA NO PRATO

Rogério Martins Simões

 

Lembra-se, meu pai,

Quando à sua mesa

Nos trocava a sobremesa

Por poesia no prato…

 

Diga-me, agora, meu pai:

Se por aí há olhares desesperados,

Mãos crispadas,

Rezas nos dentes…

 

Diga-me meu pai:

Se o sofrimento é tão só por aqui;

Se nos céus são todos iguais;

Se as regras são transparentes;

E se no inferno só ardem os maus…

 

Diga-me meu pai:

Se aí há lugar para os dementes…

Para os falazes…

Para ricos

Para os capazes

Para pobres, ou doentes.

 

Diga-me meu pai:

Se há por aí poesia

Se já conhecem a magia

Dos seus contos de encantar.

 

Nada me diz, não importa…

Mas se o céu, para si, não for boato…

Terá sempre aberta a minha porta:

E esta saudade com a poesia no prato…

 

(Meco Café) Meco 12/12/2016 12:23:39

(Para publicar no próximo livro de poesia)

publicado por poetaromasi às 18:24
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

O OUTEIRO

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O OUTEIRO

José Augusto Simões

 

Pensei em subir ao outeiro

Para ver as mais lindas flores:

Fiquei cercado pelo nevoeiro

E por flores secas sem cores.

 

Era muito cedo e esperei,

Pela luz do meu desencontro:

Vi nascer o astro rei

Que veio ao meu encontro.

 

Quando o sol brilhou

Ficou tudo num manto:

Tudo se transformou

Era assim o meu encanto.

 

Ficou linda a paisagem

De matos todos garridos

Estavam bem disfarçados

Todos os matos floridos.

 

Quando olhei para o alto,

Avistei uma planta airosa.

Subi ao cume num salto

E encontrei uma linda rosa.

 

A rosa era muito nova,

Nem sequer lhe pus a mão,

Mas deixei-lhe uma trova,

Que se espalhou pelo chão.

 

E um canto do céu desceu,

Logo quis saber quem era,

Uma voz me respondeu:

Que era a linda primavera.

 

Quando ouvi tal alegoria

Todo o meu corpo estremeceu

Dei um grito de alegria

“A Primavera não morreu”

Lisboa 2010

 

publicado por poetaromasi às 15:40
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Domingo, 30 de Setembro de 2012

O MONTE

Tela de Tiago Simões e amiga

O MONTE

José Augusto Simões

 

Subi ao cimo do monte

Para beber água fresquinha

Mas não encontrei a fonte

Fiquei com a sede que tinha

 

Quando descia p´ra estrada

Encontrei uma pastorinha

Com a sua cantarinha

Naquela ponte sentada

 

Assim que entrei na ponte

Ela me disse por graça

- A água da minha fonte

Eu a dou a quem passa

 

Encontrei  assim a menina

Não sabia onde ela andava

Com aquela água fresquinha

Que a minha sede matava

 

Matei a sede que tinha

Com aquela água sagrada

Ao beber da cantarinha

Daquela menina sentada.


Lisboa, 25 de Abril de 2012

O poeta, José augusto Simões, nasceu na Póvoa, Pampilhosa da Serra, em 1922

 

 

 

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Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

Sonhos loucos...

 

(José Augusto Simões, Rogério Martins Simões, e Isabel Martins Assunção)

 

SONHOS LOUCOS...

José Augusto Simões

 

Quando eu saí da escola

Comecei a ficar obcecado;

Não queria ficar na aldeia

Só para ser pastor de gado.

 

A agricultura não dava,

Era o que na aldeia existia.

Para procurar outra sorte

Só na sede de freguesia.

 

Um dia, de manhã cedo,

De muito frio, e nevoeiro,

Segui por reles caminhos,

Fui parar a Pessegueiro.

 

Ao chegar a Pessegueiro

Estava lá tudo vazio,

Não parou aí a sorte,

Caminhou para o Machio.

 

Quando cheguei ao Machio,

Procurei-a numa eira,

Ela, aí, não quis parar:

Voou para a Amoreira.

 

Caminhei para a Amoreira

Só encontrei uma rosa,

A sorte não ficou por lá:

Seguiu para a Pampilhosa.

 

 

Não gostou da Pampilhosa

Mas, deixou lá um letreiro:

-“Não vi ninguém na rua,

Caminhei para Janeiro.”

 

Fui procurá-la a Janeiro:

Lindas casas muito belas.

Era quase Fevereiro…

Quando cheguei a Dornelas.

 

Quando entrei em Dornelas

Logo me perdi num quelho

Aí recebi um recado:

-Fui para Unhais-o-Velho.

 

Segui p´ra Unhais-o-Velho,

Procurei-a num passal,

Nem sequer por ali passou,

Foi direitinha ao Vidual.

 

Segui para o Vidual

Uma senhora disse então:

- Menino não me leve a mal;

Foi para a Vila de Feijão.

 

Conhecendo eu bem Feijão,

Gente hospitaleira e gentil,

Todos conheciam a sorte,

Era natural do Cabril.

 

Depressa cheguei ao Cabril,

Estava à porta sentada,

Logo se deitou na cama

De correr estava cansada.

 

Eu corri todo o concelho.

No Cabril perdi a esperança.

Quando olhei para o meu corpo

Era uma pequena criança.

 

Uma senhora me disse:

- Menino não corras à toa!

-Se queres procurar a sorte

Tens de ir para Lisboa.

 

Era uma senhora de idade,

Aceitei o seu conselho,

Ainda estou a ver a velhinha,

Em frente do meu espelho.

 

Nunca encontrei a sorte,

Quando eu precisava dela,

Agora que estou velhinho,

Já posso passar sem ela.

 

Lisboa, 5 de Junho de 2010

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

A Moleirinha

 

 

 

 

 

 

 

HISTÓRIAS ANTIGAS….

 

Amanhã é Domingo

Vou ao moinho…

Se me queres ver

Vai ter ao caminho.

 

Filho duma mãe…

Não me compreende.

- O pai do menino

Na cama se estende!

 

Chegas ao caminho

A estrada é estreita

Entramos no mato

Está a cama feita!

 

A cama está feita

Não precisa de enxerga

Só é preciso teres

Tesa bem a verga …

 

A cama está feita

Logo se agacha

Pega-se na verga

Mete bem na racha!

 

Metida na racha

Até o mato dança

Bates à vontade

A racha não cansa

 

Depois da primeira

É a tua vez

Em vez de uma só

Dás duas ou três…

 

Está o trabalho feito

Olhas bem para o lado

Eu vou para o moinho

E tu pró Valado

 

Vais para o Valado

Passas no caminho

Se tiveres mais fome

Vai ter ao moinho.

 

José Augusto Simões

12-10-2006

(Nasceu em 1922)

publicado por poetaromasi às 16:46
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Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

A Montanha recitada por José Augusto Simões

publicado por poetaromasi às 17:21
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Eternas lembranças

 

 

 

 

 

 
 
ETERNAS LEMBRANÇAS
José Augusto Simões
 
 
Nasci na aldeia da Póvoa
Cheia de encanto e beleza
Todos nos sentíamos bem
Apesar de certa pobreza.
 
Era um povo muito amigo
Cada qual tinha seu jeito
Mas não existe povo algum
Que em tudo seja perfeito.
 
Desses tempos bem passados
Tenho gratas recordações
Daquelas lindas cantigas
Que cantavam aos serões.
 
Das noites bem passadas
Ao debulhar as espigas
A cantar à desgarrada
Rapazes e raparigas.
 
 
Tudo isto foi bem pensado
Há luz da velha candeia…
Como escrevi em “Ecos da Póvoa”
“As mulheres da minha aldeia”
 
São lembranças do passado
Voos de passarinho…
Confesso, nunca esquecerei
A Emília Casalinho.
 
A Emília vinha à janela
- Zézito vem à tua porta!
Atira-me maças e peras
Que trazia da sua horta.
 
-Zézito vem a minha casa
Que te quero dar um queijo:
-Minhas pernas tinham asas…
Era assim o seu desejo.
 
Para mim mulher mais linda,
Para mim a mulher mais bela,
Ela e sua irmã Carmelinda
Debruçadas à janela…
 
 
 
Assim, muito criancinha,
A memória não tem agreiro,
Nunca posso esquecer
A Piedade do João Barbeiro.
 
Sou filho da “Ti Mariquitas”
Essa mulher que só fez bem
Eu nunca a posso esquecer:
Era a minha querida mãe.
 
Às vezes começo a pensar
Mas, não é pensar à toa
Talvez não merecesse ter
Assim uma mãe tão boa.
 
Quando fazíamos “asneira”
Não nos chamava de ateus…
Minha mãe só me dizia:
- Oh filho valha-te Deus.
 
Ao terminar estes versos
Termino com grande dor
Ainda estou respirando
O bafo do seu lindo amor.
 
Lisboa, 18 de Julho de 2009

 

publicado por poetaromasi às 16:32
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Minha mãe mandou-me à Vila...

 

PAMPILHOSA DA SERRA

 

Foto da autoria de Padre Pedro

 

 

 

 
Minha mãe mandou-me à Vila
José Augusto Simões
 
Minha mãe mandou-me à Vila,
Enganei-me no caminho,
Quando dei pelo engano,
Já estava em Moninho.
 
Quando eu ia a chegar
Havia festa e arraial.
Segui por outros caminhos.
Fiz encontro no Sobral.
 
Quando estava no Sobral,
Tudo mudou de feições,
Segui por um reles caminho,
Fiz paragem nos Covões.
 
Estando eu nos Covões,
Logo mudei as ideias,
Atravessei o rio Unhais,
Assim cheguei às Aldeias.
 
À saída das Aldeias
Tomei outra direcção:
Caminhei mais uma hora,
Estava no Vale Serrão
 
Saindo do Vale Serrão
Vi que não tinha sapatos.
Caminhei mais dois quilómetros,
Assim cheguei aos Lobatos.
 
Quando saí dos Lobatos,
Avistei uma serra airosa,
Desci o Cabeço da Urra,
Estava na Pampilhosa.
 
Ao chegar à Pampilhosa,
Armado em papo-seco…
Em vez de seguir prà Póvoa
Fui parar a Pescanseco.
 
Pescanseco terra amiga,
Aí acabou a caminhada:
Comecei a andar à pressa,
A noite estava chegada.
 
Acordei, passou o sonho,
Estava tudo bem certinho:
Não fui a terra nenhuma!
Nem sequer fui a Moninho.
 
Lisboa, 16 de Julho de 2009

 

publicado por poetaromasi às 18:21
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Jesus

 

 

 

 

JESUS
Rogério Martins Simões
 
Na terra nasceu.
Na terra brincou.
Na terra aprendeu.
Na terra ensinou.
A terra lhe cedeu
Os frutos e o mel.
O homem lhe deu
O vinagre e o fel.
Alguém o viu
Carregar a cruz.
De branco se vestiu
Seu nome era Luz.
Era poeta.
Era sonhador.
Filho e profeta.
Deus do amor.
Cordeiro imolado:
Quem tanto amou!
Da morte libertado
Ressuscitou.
 
Voltou! Da luz:
De luz revestido
De branco cingido,
Seu nome, Jesus.
 
MECO sexta-feira, 10 de Abril de 2009
 
(Dedicado ao saudoso padre José Correia da Cunha)
 
 
 
 
 
SANTA PÁSCOA PARA TODOS
publicado por poetaromasi às 13:10
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Histórias Antigas - A moleirinha...

 

 

 

 

 

HISTÓRIAS ANTIGAS….

 

Amanhã é Domingo

Vou ao moinho…

Se me queres ver

Vai ter ao caminho.

 

Filho duma mãe…

Não me compreende.

- O pai do menino

Na cama se estende!

 

Chegas ao caminho

A estrada é estreita

Entramos no mato

Está a cama feita!

 

A cama está feita

Não precisa de enxerga

Só é preciso teres

Tesa bem a verga …

 

A cama está feita

Logo se agacha

Pega-se na verga

Mete bem na racha!

 

Metida na racha

Até o mato dança

Bates à vontade

A racha não cansa

 

Depois da primeira

É a tua vez

Em vez de uma só

Dás duas ou três…

 

Está o trabalho feito

Olhas bem para o lado

Eu vou para o moinho

E tu pró Valado

 

Vais para o Valado

Passas no caminho

Se tiveres mais fome

Vai ter ao moinho.

 

José Augusto Simões

12-10-2006

(Nasceu em 1922)

sinto-me: Quadras de um poeta com 84 ano
publicado por poetaromasi às 08:57
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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