DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Domingo, 22 de Novembro de 2009

Ti João Barbeiro

(foto Padre Pedro)

João Nunes de Almeida

(Mais conhecido por João Barbeiro)

 

Era natural do Sobral.

Casou na Póvoa, com a senhora Elvira da Piedade que era uma das maiores amigas de minha mãe, Maria da Ascensão Ramos.

Do seu matrimónio nasceram dois filhos: a senhora Maria José Nunes de Almeida, que nasceu no ano de 1914 e actualmente viúva e Antonino Nunes de Almeida, que nasceu em 17 de Março do ano de 1916, já falecido, casado com a senhora Maria do Carmo Nunes da Veiga uma excelente pessoa assim como toda a sua família.

O Antonino, não sendo da minha família e apesar de ter mais seis anos de idade do que eu, era um dos meus maiores amigos. Nascidos na mesma Aldeia sinto por ele uma enorme saudade.

Voltando ao senhor João Barbeiro, nome pelo qual era conhecido, ele era praticamente o médico da Póvoa, assim como da maior parte das Aldeias vizinhas.

Viajava por serras e caminhos de cabra para tratar dos doentes das Boiças, Seiroquinho, Decabelos, Soeirinho, Moninho, Moradias, Carvalho, Sobral de Baixo e de Cima, Covões e de diversas aldeias a sul da Pampilhosa da Serra.

Mas, ainda, fazia serviços da sua profissão no Carvalhal, Aldeia Velha, Adela, Soito, Malhada e Casais do vizinho Concelho Góis.

O senhor João Barbeiro foi, durante anos, creio, até à sua morte, o encarregado do Posto dos Correios da nossa Aldeia.

Os Correios colocaram, à entrada da sua residência, uma caixa onde os habitantes da Póvoa deitavam as suas cartas.

Finalmente retirava as cartas para uma mala, que fechava, e era uma senhora da Póvoa, por acaso da minha família, de nome Maria dos Santos que a transportava para a sede dos Correios da Pampilhosa e que, no retorno, trazia a correspondência destinada aos habitantes da Póvoa a quem fazia a respectiva entrega.

O senhor João Barbeiro era muito “reinadio” Contava, aos miúdos da nossa Aldeia, histórias fantásticas de lobos que com ele se cruzavam, por aqueles péssimos caminhos que tão bem conhecia.

Recordo-me desse tempo, em que o ti João Barbeiro tratava muitas das doenças, com ervas medicinais que tão bem conhecia. No entanto era bastante estudioso, e tinha livros de medicina onde estavam escritas as composições dos medicamentos, que receitava, e que eram compostas na Botica, nome que se dava às actuais Farmácias.

Não poderei esquecer a sua participação na Comissão de Melhoramentos e quero afirmar que o senhor João Barbeiro mais o senhor Alfredo Simão Antunes, o senhor Manuel Mendes de Oliveira e o senhor José Nunes, entre outros, foram aqueles que mais trabalharam para esse fim na Póvoa não esquecendo os outros que quase anonimamente trabalhavam em Lisboa para o mesmo fim, e que tal como ele nunca esperaram ou ficaram à espera de honrarias.

Aquilo que eles fizeram, sem desavenças, e que o ilustre João Barbeiro ficou ligado foi: o Lavadouro público, a abertura da mina, na fonte velha e canalização para a fonte nova no Pereiro e não tenho a certeza se os 5 marcos fontanários.

Lembro que a Comissão de Melhoramentos poucos recursos tinham e com a Câmara Municipal acontecia o mesmo.

Deve-se, de facto, a pessoas como aquele que hoje recordo as pequenas grandes vitórias que tantos engrandeceram a nossa Aldeia.

Estou grato, e deveremos estar agradecidos ao nosso “médico” que tanto ano tratou, abnegadamente, da saúde do povo da Póvoa e de outras aldeias.

Finalizo esta pequena homenagem a este ilustre povoense lembrando, que se alguém mereceu que o seu nome figurasse numa lápide o nosso João Barbeiro merecerá, certamente, uma estátua.

À sua memória e que descanse em Paz.

José Augusto Simões

publicado por poetaromasi às 20:52
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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Histórias Antigas - A moleirinha...

 

 

 

 

 

HISTÓRIAS ANTIGAS….

 

Amanhã é Domingo

Vou ao moinho…

Se me queres ver

Vai ter ao caminho.

 

Filho duma mãe…

Não me compreende.

- O pai do menino

Na cama se estende!

 

Chegas ao caminho

A estrada é estreita

Entramos no mato

Está a cama feita!

 

A cama está feita

Não precisa de enxerga

Só é preciso teres

Tesa bem a verga …

 

A cama está feita

Logo se agacha

Pega-se na verga

Mete bem na racha!

 

Metida na racha

Até o mato dança

Bates à vontade

A racha não cansa

 

Depois da primeira

É a tua vez

Em vez de uma só

Dás duas ou três…

 

Está o trabalho feito

Olhas bem para o lado

Eu vou para o moinho

E tu pró Valado

 

Vais para o Valado

Passas no caminho

Se tiveres mais fome

Vai ter ao moinho.

 

José Augusto Simões

12-10-2006

(Nasceu em 1922)

sinto-me: Quadras de um poeta com 84 ano
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

O prato esfriava

 

 

O PRATO ESFRIAVA!
Rogério Martins Simões
 
Bancos de areia cobrem os meus pensamentos,
Nuvens transportam toalhas para secar…
Aguaceiros dispersam memórias dos tempos
Salpicando, aqui e além, histórias por contar…
 
Minha tia mandou-me ao poço
Para o meu corpo lavar!
Não existia gel,
Nem era preciso!
Apenas bolas de sabão
Com que lavava o meu sorriso…
 
-Vamos aos peixes!
 
Rolávamos pelos montes
Subíamos as serras
Atirávamos pedras
Sempre nus
Sempre descalços
E entre musgos nascia
Água cristalina
Brotando das nascentes:
Mãe de todas as fontes
Luz de todas as sementes
Ajoelhava
E bebia!
 
Levantávamos
E corríamos
Sobre trilhos e pedras redondas
Seixos e calhaus rolados.
Bastava um rio
Uma água corrente
Que o calor aquecia…
 
- Quem pula primeiro do alto da fraga?
E havia um primeiro mergulho
Depois mais outro
Mais outro
E outro…
 
Olhávamos o Sol!
Que horas seriam?
Já passava do meio-dia!
Já espreitava o pôr-do-sol!
Já ralhava a minha tia!
E mais uma vez o prato esfriava…
 
Lisboa, 29 de Setembro de 2008

 

(Poema dedicado à minha tia Laura Simões)

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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

O SOL

 

 

 

O SOL
José Augusto Simões
 
Sol divino, Sol divino
Lindo é vê-lo nascer
É mais um dia na vida
Deus nos dá para viver
 
Sol divino, Sol divino
Que ilumina toda a terra
Desde o mais profundo vale
Até ao mais alto da serra
 
Sol divino, Sol divino
Que nos dá tanta alegria
Acaba a noite cerrada
E irrompe o claro dia
 
Sol divino, Sol divino
Nos dá tanta beleza
É a estrela mais bela
Que nos dá a natureza:
 
Quando está ao pé do rio
Em cima de uma cascata
O fundo parece de ouro
A água da cor da prata
 
Todo o ser vivo se mexe
Quando vê nascer o Sol
Os passarinhos cantam
Trina o lindo rouxinol
 
Rouxinol que bem cantas
Onde aprendeste a cantar?
- No cimo daquele salgueiro
Com os ramos a abanar!
 
Todas as aves cantam!
Cada qual com sua voz!
Eu já acompanhei o rio…
Da nascente até à foz
 
Estou velho! tu és menino
Nunca irás envelhecer
Sol divino, Sol divino
Sem ti não posso viver
 
Lisboa, 25/9/2007

 

DEDICADO AO POVO DE PRAÇAIS

PAMPILHOSA DA SERRA

 

OBRIGADO!

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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

O meu pensamento

(Foto de Padre Pedro na Póvoa)

 

O MEU PENSAMENTO

 

(Versos de meu pai)

José Augusto Simões)

 

Há no mundo muita gente

Que não faz bem a ninguém

Não pensa que vai morrer

E deixa tudo o que tem.

 

Eu nunca pensei assim

Porque sei que não vou viver

Riqueza pouco me interessa

Interessa é bem-fazer.

 

De tudo o que nós levamos

Na hora da despedida

È o bem que cá fizemos

Nos tempos da nossa vida

 

Bom seria que pensassem

Segredos que a vida tem

Passariam toda a vida

Sem fazer mal a ninguém

 

A nossa alma é pequena

Mas grande é o pensamento

Ajudar a quem precisa

È dever de toda a gente.

 

Há no mundo pouca gente

Que pense fazer o bem

E não há coisa mais bela

Do que dar a quem não tem.

 

Quem me dera ter nascido

E a toda a gente ajudado

Feliz por ter cumprido

Morreria descansado.

 

A Alma que ninguém a vê

Para o homem é mistério

Não se sabe se tem outra vida

Ou acaba no cemitério.

 

Todos devemos pensar

Que andamos enganados

Quando o mundo deixarmos

Podemos ser condenados.

 

Muito tempo ou pouco tempo

Que a gente pode viver

Não podemos descobrir

O que nos irá acontecer

 

Que Deus a todos perdoa

Na hora da despedida

Dos sofrimentos passados

Enquanto tivermos vida

 

De tudo o que a vida nos deu

Tudo vamos esquecer

A vida tem destas coisas

O nosso fim é morrer.

 

Obrigado meu pai por me ter ensinado tão cedo a escrever poesia.

Obrigado por me ter dado a conhecer os poetas.

Obrigado pela vida e pelo seu exemplo de vida.

Rogério Martins Simões

 

PAI

 

No céu vejo uma estrela

No etéreo, Deus nos receberá

Meu pai é a luz mais bela

Que no firmamento brilhará.

 

Vou pedir a Deus por escrito

Que nos junte aos dois no céu

E me chame ao primeiro grito

Com a força que ele nos deu.

 

Rogério Simões

23-03-2004

sinto-me: Quadras
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Domingo, 10 de Agosto de 2008

A MONTANHA

(foto Padre Pedro - Pampilhosa da Serra)

A MONTANHA

(José Augusto Simões)

 

 

Subi a montanha

Para ver a beleza

Queria falar sozinho

Com a natureza

 

Olhei para o céu

Mas não vi ninguém

Só vi umas nuvens

Em forma de véu

 

Ao chegar ao alto

Era muito cedo

Havia uma voz

- Tu não tenhas medo

 

Chegando ao cimo

Logo me deitei

Tudo era um sonho

Quando acordei

 

Desconhecia tudo

Não sabia nada

Queria subir mais alto

Mas não tinha estrada…

 

Olhei para o lado

E vi um caminho

Uma voz me disse

Não subas sozinho

 

Pensei duas vezes

Não quis arriscar

Do alto do monte

Já só via o mar…

 

Como era tarde

Pensei em descer

O medo era tanto

Que me fez tremer

 

Assim a tremer

Vi uma escadaria

Desci por ela

Vi o que queria…

15/8/2006

sinto-me: POETA COM 86 anos
publicado por poetaromasi às 22:04
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

Recordo mulher aquele dia

(Foto do meu casamento)

 

Recordo mulher aquele dia

José Augusto Simões

 

 

Recordo mulher aquele dia

Em que o dia nos deu luz

Saudade e muita alegria

Meu coração no teu depus

 

Dei-te a mão, mão na mão

Sentados num banco do jardim

Foi meu, foi teu, o coração

Que ainda brilha em mim

 

A vinte e sete de Abril

Fizemos uma escritura

Que só podia cessar

Na campa da sepultura

 

Quando fomos à igreja

Fizemos um juramento

Quem ama filhos deseja

E foi tão lindo o momento

 

Três filhos que Deus nos deu

Temos os três no coração

São todos bem-educados

Com respeito e posição

 

Hoje já estamos velhos

Mas entendemo-nos bem

Os nossos filhos não esquecem

Os pais que no mundo têm

 

Lisboa 27 de Janeiro de 2007-03-19

 

sinto-me: 2007
publicado por poetaromasi às 00:36
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Flores da Primavera

(Foto do casamento de José Augusto Simões & Isabel Martins de Assunção)

FLORES DA PRIMAVERA

 

José Augusto Simões

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

As mais belas flores de Abril

São as que estão em botão

 

Eu nasci na Primavera

Lindos meses lindas cores

Em todos os jardins e campos

Crescem as mais belas flores

 

As flores na Primavera

Crescem em qualquer recanto

Olha-se para todos os lados

Só se vê um lindo manto.

 

As pessoas vão para o campo

Só para ver as belas flores

Por vezes nestes passeios

Arranjam-se lindos amores…

 

Os amores da Primavera

São as flores mais mimosas

Apanham no mês de Maio

Lindos cravos, lindas rosas

 

As rosas da Primavera

Não se podem deitar fora

Quando se tratam mal as flores

Toda a Primavera chora

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

A mais bela flor de Abril

A preservo desde então

 

Em Abril rosa tão bela

Bela rosa de estimação

Ainda hoje a tenho guardado

Dentro do meu coração!

 

Novembro de 2006

sinto-me: Poema de um poeta com 84 anos
publicado por poetaromasi às 01:28
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

PÓVOA - Visitei a minha Aldeia

 

(Eira)

 

 

PÓVOA – Visitei a minha aldeia
José Augusto Simões
 
No dia vinte de Maio
Fui à terra onde nasci
Estive em dois mil e quatro
Não foi surpresa o que vi
 
A Aldeia está bonita
Lindas casas e estimadas
É pena estarem desertas:
Não estarem habitadas
 
As terras de agricultura
Estão todas abandonadas
As terras, como a cultura,
Precisam de ser cultivadas…
 
A Aldeia está bonita!
Mais parece uma Cidade…
Para mim está mais triste
Por ter pouca mocidade
 
Quando eu era garoto
Casas toscas e estrumeira
Havia tantas crianças
Que quase enchiam a eira:
 
Pequenas ruas e estreitas
Povo na rua e nas vielas
Em todas as casas se viam
Muitos jovens às janelas
 
O povo abandonou a Aldeia
Com tristeza e emoção
Procuraram outras terras
Para ter melhor condição
 
Agora os que lá vivem
Vivem em boas condições
Trabalharam toda a vida
Para amealharem uns tostões…
 
Conterrâneos e amigos
Falo com palavra séria
Na Póvoa onde nascemos
Já não existe miséria!
 
Lisboa, 25 de Junho de 2008
 
 
 
 

 


 

José Augusto Simões e primas

publicado por poetaromasi às 23:51
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

José Augusto Simões

PAI.jpg

 (José Augusto Simões)

MEU PAI

 

José Augusto Simões, nasceu em 20 de Maio de 1922, no lugar da Póvoa - Pampilhosa da Serra.

Filho de Maria da Ascenção Ramos, (1882 - 1938) e de António Antunes Simões (1881 - 1934).

Descende das famílias Simões e Henriques da Pampilhosa da Serra; dos Antunes e Ramos da Póvoa e dos Almeidas de Moninho. Teve duas irmãs, Maria da Nazaré Simões, empregada nos Hospitais Civis de Lisboa - Hospital de Arroios e Laura da Conceição Simões.

Foi um aluno brilhante na escola da Pampilhosa da Serra onde ganhou diversos prémios escolares: o 1º prémio escolar de 60$00, na passagem da 2ª para a 3ª classe, tendo obtido a nota final de 18 valores e o 1º prémio escolar, também, os 60$00, na passagem da 3ª para a 4ª classe, tendo obtido como nota final 19 valores.

Ingressou na 1ª classe em 1930 que concluiu em 1931. Concluiu a 2º grupo em 1932; a 2ª classe em 1933; a 3ª classe em 1934 e terminou os seus estudos primários, a 4ª classe, em 1935 com a nota final “brilhante com distinção”.

Da 1ª à 3ªclasse foi ensinado pelo Professor Anselmo Ferreira e na 4ª classe pelo Professor Gil.

Apenas pôde concluir a 4ª Classe, porque as vicissitudes da vida o impediram de prosseguir os seus estudos.

O seu maior trauma da infância foi a morte prematura do seu pai e a doença e morte de sua mãe, que, aliado à falta de recursos, tão normal nessa época, o impediu de realizar o seu sonho: “concluir um curso superior”.

Ficou órfão de pai aos 12 anos e de mãe aos 15 anos de idade, tendo migrado para Lisboa onde trabalhou, desde muito cedo, como caixeiro de mercearia até à data em que foi incorporado no serviço militar.

Trabalhou, depois, como “caixeiro-viajante” tendo conhecido todo o país ao serviço da firma “Francisco Simões” que comercializava sacos, batatas e outros legumes.

Em 21 de Abril de 1948, fundou, com seu tio Jaime Rodrigues, natural do Pessegueiro, uma pequena empresa de sacos usados, a firma Jaime Rodrigues & Simões, Lda., que foi a base de sustentação de toda a família, bem como de muitos parentes, amigos e conhecidos.

A sua “sacaria”, na Calçada do Forte em Lisboa, foi sempre ponto de encontro e de reunião entre os conterrâneos e amigos.

Esteve na reorganização da Comissão de Melhoramentos da Póvoa onde foi 1º Secretário nos anos de 1949 a 1950.

Casou com Isabel Martins de Assunção, natural da Malhada, Colmeal, prima direita do actual Presidente do Tribunal Constitucional, Luís Manuel Nunes de Almeida.

Do seu casamento nasceram 5 filhos. As duas filhas faleceram precocemente e estão vivos os restantes filhos do sexo masculino.

Acolheu na sua pequena casa de Lisboa, na Rua do Mirante, parentes ou simplesmente conhecidos. Recordo-me de meus pais cederem a sua cama aos familiares e de terem dormido, em cima de sacos, no seu estabelecimento comercial.

É um homem com um “H” muito grande, dotado de uma memória prodigiosa colocando a honra e a honestidade no cimo do seu pedestal.

Foi brilhante na matemática e em outras ciências tais como a Geografia, as Ciências Naturais, a História e a Aritmética. A sua letra era muito bonita e por isso era o “miúdo” que escrevia e lia as cartas aos seus conterrâneos.

Mas a sua memória não é passiva.

José Augusto Simões sabe de cor as datas de nascimento e da morte de quase todos os seus familiares, amigos e conhecidos, bem como, as datas dos factos mais importantes da sua e da nossa vida  passada e actual. Sabe de cor os nomes de todos os ossos do corpo humano, rios e estradas de Portugal. Desculpem, meu pai é simplesmente brilhante.

Conseguiu passar para o papel, reconstituindo, a árvore genealógica de quase toda a sua ascendência: Simões, Ramos e Antunes (esta desde 1822).

Parte desta reconstituição familiar foi-lhe transmitida, oralmente, por sua mãe Maria Ramos (ti Mariquitas da Póvoa) e conservada na memória do meu pai até à data.

Foi sempre um grande comunicador. Lembro-me de o ouvir contar histórias de fantasiar e de encantar que tanto preencheu o imaginário da minha infância.

Escreveu poesia, pois li alguns dos seus poemas, que expressam bem as amarguras da vida, as coisas boas e simples e o seu amor pelo próximo.

Para que perdurem as lembranças da sua brilhante memória, que podem contribuir para escrever ou rescrever a vida difícil de um povo implantado na Beira Serra, vou trazer alguns artigos que escreveu e continuarei a incentivar para que escreva, pois neles se encontram alusões, menções a pessoas e factos, que fazem a história de uma aldeia a Póvoa da Pampilhosa da Serra e das suas gentes.

Homenagem do seu filho

Rogério Simões

2004 

publicado por poetaromasi às 00:00
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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