DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Domingo, 12 de Março de 2017

A ESCOLA NOS ANOS 30 DO SÉCULO XX (Pampilhosa da Serra)

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A ESCOLA NOS ANOS 30 DO SÉCULO XX

José Augusto Simões

 

Por caminhos, mato e rochedo,

Com os livros dentro da sacola,

Que em dias de vendaval metia medo,

Sempre contentes para chegarem à escola.

 

Mais de uma légua era a jornada.

Mas as crianças gostavam de aprender:

Mesmo em dias de chuva e trovoada,

Corriam alegres sem nada temer.

 

Sempre prontos para sair da cama,

Mesmo a chover ninguém os detinha,

Assim levavam toda a semana,

Levando para o almoço: broa e sardinha.

 

Servia de escola uma casa antiga,

Sem eletricidade, água e sanitários,

As crianças chegavam sem qualquer fadiga…

Alegres faziam os seus trabalhos diários…

 

Mais de oitenta alunos, um só professor,

Quatro classes em cinquenta carteiras,

No final da primeira já era conhecedor:

Da matéria da quarta e das três primeiras.

 

Saída ao meio-dia de saco na mão

Na rua e no terreiro soltavam a asa…

Comem a broa sentados no chão

Os meninos da Vila almoçam em casa…

 

Depressa comem para pular!

A tudo o que vêm eles acham graça.

Inventam maneiras para brincar,

Todas as brincadeiras acabam na praça.

 

À uma hora já estão na escola,

Fazendo os trabalhos e tendo na ideia:

Que às três da tarde pegam na sacola,

Se juntam, e regressam à aldeia.

 

Tudo se passou nos anos trinta do século passado,

Eu era um desses alunos que ia para a escola,

De todo esse tempo estou bem lembrado:

Pudera eu hoje voltar a pegar na sacola…

 

Nunca mais me esqueço dessa escravidão

Descalço, molhado: fui mesmo um bravo

Comia a broa, e sardinha, sentado no chão

Hoje reconheço que era um escravo…

Lisboa, 5 de Novembro de 2011

(Memórias de José Augusto Simões quando frequentava a escola primária na Pampilhosa da Serra ou “POR CAMINHOS MATOS E ROCHEDOS” percurso diário entre a Póvoa e a Pampilhosa da Serra)

 

publicado por poetaromasi às 21:07
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

POESIA NO PRATO

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POESIA NO PRATO

Rogério Martins Simões

 

Lembra-se, meu pai,

Quando à sua mesa

Nos trocava a sobremesa

Por poesia no prato…

 

Diga-me, agora, meu pai:

Se por aí há olhares desesperados,

Mãos crispadas,

Rezas nos dentes…

 

Diga-me meu pai:

Se o sofrimento é tão só por aqui;

Se nos céus são todos iguais;

Se as regras são transparentes;

E se no inferno só ardem os maus…

 

Diga-me meu pai:

Se aí há lugar para os dementes…

Para os falazes…

Para ricos

Para os capazes

Para pobres, ou doentes.

 

Diga-me meu pai:

Se há por aí poesia

Se já conhecem a magia

Dos seus contos de encantar.

 

Nada me diz, não importa…

Mas se o céu, para si, não for boato…

Terá sempre aberta a minha porta:

E esta saudade com a poesia no prato…

 

(Meco Café) Meco 12/12/2016 12:23:39

(Para publicar no próximo livro de poesia)

publicado por poetaromasi às 18:24
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Sábado, 7 de Março de 2015

Meu amor deu-me uma rosa

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MEU AMOR DEU-ME UMA ROSA

José Augusto Simões

 

Meu amor deu-me uma rosa

Do jardim da sua mãe:

Uma rosa tão mimosa

Nem sei o valor que tem.

 

Eu tinha a rosa na mão

Não sabia onde a guardar

Guardo-a no teu coração

Enquanto a rosa cheirar.

 

Se a tiro da minha mão

Outras a podem cheirar

- Eu só tenho um coração

Guardado para te dar.

 

Se me deres o teu coração

O teu ao meu vou juntar:

Assim, num só coração

No meu jardim vou guardar.

 

O jardim da minha mãe

Não tem rosas ao luar

Só tinha a que te dei, meu bem

Já não tem outra para dar.

 

Lisboa 4 de agosto de 2013

publicado por poetaromasi às 15:49
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

O OUTEIRO

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O OUTEIRO

José Augusto Simões

 

Pensei em subir ao outeiro

Para ver as mais lindas flores:

Fiquei cercado pelo nevoeiro

E por flores secas sem cores.

 

Era muito cedo e esperei,

Pela luz do meu desencontro:

Vi nascer o astro rei

Que veio ao meu encontro.

 

Quando o sol brilhou

Ficou tudo num manto:

Tudo se transformou

Era assim o meu encanto.

 

Ficou linda a paisagem

De matos todos garridos

Estavam bem disfarçados

Todos os matos floridos.

 

Quando olhei para o alto,

Avistei uma planta airosa.

Subi ao cume num salto

E encontrei uma linda rosa.

 

A rosa era muito nova,

Nem sequer lhe pus a mão,

Mas deixei-lhe uma trova,

Que se espalhou pelo chão.

 

E um canto do céu desceu,

Logo quis saber quem era,

Uma voz me respondeu:

Que era a linda primavera.

 

Quando ouvi tal alegoria

Todo o meu corpo estremeceu

Dei um grito de alegria

“A Primavera não morreu”

Lisboa 2010

 

publicado por poetaromasi às 15:40
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Fui ao rio apanhar trutas

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FUI AO RIO PARA VER TRUTAS

José Augusto Simões

 

Fui ao rio para ver trutas

Num dia de muito frio

Mas só encontrei grutas

Nem sequer havia rio

 

Apareceu uma menina

A pouca distância se sentou

Onde estás era uma mina

Que a natureza aí deixou.

 

Vi que vinhas enganado

De longe te acompanhei.

Ficaste admirado

Dos passos que por ti dei.

 

A truta que queres ver

Aqui a tens a teu lado

Trago uma carta para ler

Para recordar o passado…

 

É um passado de amor

Escrita que a carta contém.

Eu não sinto qualquer dor

Fizemos tudo por bem.

 

Segredos que a vida tem

Só o sabemos os dois

Nem o sabe minha mãe

Nem o saberá depois

 

Segredos que a vida tem

É uma coisa sagrada

Só tu o sabes meu bem

Ninguém pode saber nada.

 

Lisboa, 19 de Agosto de 2013

 

publicado por poetaromasi às 12:27
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2014

ÁGUA DA FONTE

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ÁGUA DA FONTE

José Augusto Simões

 

Fui buscar água da fonte,

P´ra minha casa levei,

Passei uma velha ponte,

Outro caminho não sei.

 

Deitei-o na cantareira,

No dia seguinte voltei,

Quando cheguei à lareira,

O Cântaro não encontrei.

 

Quem a minha água tirou,

Sabia que ela era minha:

Água e o cântaro levou

Da minha casa velhinha.

 

O cântaro da cantareira,

Eu sei bem quem o levou,

Fez isso por brincadeira,

Mas bem sabe que pecou.

 

Deixou um papel escrito:

- Muito te quero dizer

Sabes bem o que tens dito…

Foste à fonte sem me ver.

Lisboa, 18 de Agosto de 2013

 

publicado por poetaromasi às 19:42
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Terça-feira, 12 de Novembro de 2013

Papoilas da alma lido por José SoaresTeixeira

publicado por poetaromasi às 17:56
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Sábado, 12 de Janeiro de 2013

PARKINSON

publicado por poetaromasi às 21:28
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Domingo, 30 de Setembro de 2012

O MONTE

Tela de Tiago Simões e amiga

O MONTE

José Augusto Simões

 

Subi ao cimo do monte

Para beber água fresquinha

Mas não encontrei a fonte

Fiquei com a sede que tinha

 

Quando descia p´ra estrada

Encontrei uma pastorinha

Com a sua cantarinha

Naquela ponte sentada

 

Assim que entrei na ponte

Ela me disse por graça

- A água da minha fonte

Eu a dou a quem passa

 

Encontrei  assim a menina

Não sabia onde ela andava

Com aquela água fresquinha

Que a minha sede matava

 

Matei a sede que tinha

Com aquela água sagrada

Ao beber da cantarinha

Daquela menina sentada.


Lisboa, 25 de Abril de 2012

O poeta, José augusto Simões, nasceu na Póvoa, Pampilhosa da Serra, em 1922

 

 

 

publicado por poetaromasi às 19:24
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Por caminhos matos e rochedos...

 

 

 

 

POR CAMINHOS MATOS E ROCHEDOS

1)      A escola nos anos 30 do Século XX

José Augusto Simões

 

Por caminhos, mato e rochedo,

Com os livros dentro da sacola,

Que em dias de vendaval metia medo,

Sempre contentes para chegarem à escola.

 

Mais de uma légua era a jornada.

Mas as crianças gostavam de aprender:

Mesmo em dias de chuva e trovoada,

Corriam alegres sem nada temer.

 

Sempre prontos para sair da cama,

Mesmo a chover ninguém os detinha,

Assim levavam toda a semana,

Levando para o almoço: broa e sardinha.

 

Servia de escola uma casa antiga,

Sem eletricidade, água e sanitários,

As crianças chegavam sem qualquer fadiga…

Alegres faziam os seus trabalhos diários…

 

Mais de oitenta alunos, um só professor,

Quatro classes em cinquenta carteiras,

No final da primeira já era conhecedor:

Da matéria da quarta e das três primeiras.

Saída ao meio-dia de saco na mão

Na rua e no terreiro soltavam a asa…

Comem a broa sentados no chão

Os meninos da Vila almoçam em casa…

 

Depressa comem para pular!

A tudo o que vêm eles acham graça.

Inventam maneiras para brincar,

Todas as brincadeiras acabam na praça.

 

À uma hora já estão na escola,

Fazendo os trabalhos e tendo na ideia:

Que às três da tarde pegam na sacola,

Se juntam, e regressam à aldeia.

 

Tudo se passou nos anos trinta do século passado,

Eu era um desses alunos que ia para a escola,

De todo esse tempo estou bem lembrado:

Pudera eu hoje voltar a pegar na sacola…

 

Nunca mais me esqueço dessa escravidão

Descalço, molhado: fui mesmo um bravo

Comia a broa, e sardinha, sentado no chão

Hoje reconheço que era um escravo…

 

Lisboa, 5 de Novembro de 2011

 

 

publicado por poetaromasi às 23:05
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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