DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014

Menina da rosa branca

 

 

 

(DEGAS)

 

 

MENINA DA ROSA BRANCA

José Augusto Simões

 

Menina da rosa brancaGrandOptical 

Que usas no teu cabelo?

-A rosa a todos encanta

Apanhei-a no Restelo.

 

Essa rosa tão bonita

É igual ao teu andar.

A rosa que tão bem te fica

Lindo coração para amar.

 

Essas palavras de amor

A mim não dizem nada

Agradeço o seu louvor

Não fico apaixonada.

 

Esses teus olhos brilhantes

Com tua face rosada

Fazem parar os galantes

Que te querem p´ra namorada.

 

Podem parar à vontade

A todos digo que não

Ainda não tenho idade

Para dar o meu coração.

 

Todos olham rosa tão bela

Apanhada no Restelo

Muitos a morrer por ela

Quando está no teu cabelo…

 

A rosa do meu cabelo

Ninguém a pode tirar

Apanhei-a no Restelo

Numa noite de luar.

 

Usa a rosa no cabelo,

Não ponha a rosa ao peito:

Podem julgar que és modelo

E roubar-te a rosa e o jeito…

 

Lisboa, 15 de Fevereiro de 2012

(à menina da Rosa Branca da Grandoptical do Colombo)

 

 

 

publicado por poetaromasi às 18:20
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Por caminhos matos e rochedos...

 

 

 

 

POR CAMINHOS MATOS E ROCHEDOS

1)      A escola nos anos 30 do Século XX

José Augusto Simões

 

Por caminhos, mato e rochedo,

Com os livros dentro da sacola,

Que em dias de vendaval metia medo,

Sempre contentes para chegarem à escola.

 

Mais de uma légua era a jornada.

Mas as crianças gostavam de aprender:

Mesmo em dias de chuva e trovoada,

Corriam alegres sem nada temer.

 

Sempre prontos para sair da cama,

Mesmo a chover ninguém os detinha,

Assim levavam toda a semana,

Levando para o almoço: broa e sardinha.

 

Servia de escola uma casa antiga,

Sem eletricidade, água e sanitários,

As crianças chegavam sem qualquer fadiga…

Alegres faziam os seus trabalhos diários…

 

Mais de oitenta alunos, um só professor,

Quatro classes em cinquenta carteiras,

No final da primeira já era conhecedor:

Da matéria da quarta e das três primeiras.

Saída ao meio-dia de saco na mão

Na rua e no terreiro soltavam a asa…

Comem a broa sentados no chão

Os meninos da Vila almoçam em casa…

 

Depressa comem para pular!

A tudo o que vêm eles acham graça.

Inventam maneiras para brincar,

Todas as brincadeiras acabam na praça.

 

À uma hora já estão na escola,

Fazendo os trabalhos e tendo na ideia:

Que às três da tarde pegam na sacola,

Se juntam, e regressam à aldeia.

 

Tudo se passou nos anos trinta do século passado,

Eu era um desses alunos que ia para a escola,

De todo esse tempo estou bem lembrado:

Pudera eu hoje voltar a pegar na sacola…

 

Nunca mais me esqueço dessa escravidão

Descalço, molhado: fui mesmo um bravo

Comia a broa, e sardinha, sentado no chão

Hoje reconheço que era um escravo…

 

Lisboa, 5 de Novembro de 2011

 

 

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Minha mãe mandou-me à Vila...

 

PAMPILHOSA DA SERRA

 

Foto da autoria de Padre Pedro

 

 

 

 
Minha mãe mandou-me à Vila
José Augusto Simões
 
Minha mãe mandou-me à Vila,
Enganei-me no caminho,
Quando dei pelo engano,
Já estava em Moninho.
 
Quando eu ia a chegar
Havia festa e arraial.
Segui por outros caminhos.
Fiz encontro no Sobral.
 
Quando estava no Sobral,
Tudo mudou de feições,
Segui por um reles caminho,
Fiz paragem nos Covões.
 
Estando eu nos Covões,
Logo mudei as ideias,
Atravessei o rio Unhais,
Assim cheguei às Aldeias.
 
À saída das Aldeias
Tomei outra direcção:
Caminhei mais uma hora,
Estava no Vale Serrão
 
Saindo do Vale Serrão
Vi que não tinha sapatos.
Caminhei mais dois quilómetros,
Assim cheguei aos Lobatos.
 
Quando saí dos Lobatos,
Avistei uma serra airosa,
Desci o Cabeço da Urra,
Estava na Pampilhosa.
 
Ao chegar à Pampilhosa,
Armado em papo-seco…
Em vez de seguir prà Póvoa
Fui parar a Pescanseco.
 
Pescanseco terra amiga,
Aí acabou a caminhada:
Comecei a andar à pressa,
A noite estava chegada.
 
Acordei, passou o sonho,
Estava tudo bem certinho:
Não fui a terra nenhuma!
Nem sequer fui a Moninho.
 
Lisboa, 16 de Julho de 2009

 

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Sexta-feira, 27 de Março de 2009

Histórias Antigas - A moleirinha...

 

 

 

 

 

HISTÓRIAS ANTIGAS….

 

Amanhã é Domingo

Vou ao moinho…

Se me queres ver

Vai ter ao caminho.

 

Filho duma mãe…

Não me compreende.

- O pai do menino

Na cama se estende!

 

Chegas ao caminho

A estrada é estreita

Entramos no mato

Está a cama feita!

 

A cama está feita

Não precisa de enxerga

Só é preciso teres

Tesa bem a verga …

 

A cama está feita

Logo se agacha

Pega-se na verga

Mete bem na racha!

 

Metida na racha

Até o mato dança

Bates à vontade

A racha não cansa

 

Depois da primeira

É a tua vez

Em vez de uma só

Dás duas ou três…

 

Está o trabalho feito

Olhas bem para o lado

Eu vou para o moinho

E tu pró Valado

 

Vais para o Valado

Passas no caminho

Se tiveres mais fome

Vai ter ao moinho.

 

José Augusto Simões

12-10-2006

(Nasceu em 1922)

sinto-me: Quadras de um poeta com 84 ano
publicado por poetaromasi às 08:57
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

EU NASCI NUMA CASA POBRE


 

(Pampilhosa da Serra foto Padre Pedro)


 

EU NASCI NUMA CASA POBRE

José Augusto Simões

 

Eu nasci numa casa fundeira

Cresci numa casa da serra

As ruas eram a estrumeira

Do esterco se alimenta a terra

 

As casas eram velhinhas

Mas tinham boas lareiras

Minha mãe e as vizinhas

Levavam estrume p´ras leiras

 

Só se juntavam à noite

Ou quando estava a chover

Punham lenha na fogueira

Para todos bem receber

 

Éramos todos primos e amigos

Todos juntos a conviver

Punha-se mais lenha no lume

Foi ali que aprendi a ler

 

Todas elas nos contavam

Cada qual a sua história

Atentos todos escutavam

Tudo ficava na memória

 

Depois de tantas histórias

Coisas que havias nas terras…

Tínhamos as nossas glórias

Subíamos ao alto das serras

 

Quando chegámos ao cimo

Avistávamos o horizonte

Era a serra mais alta

No largo tinha uma fonte.

 

Saía a água da rocha

Muito pura e cristalina

Logo os dois nos baixámos

Para beber água tão fina.

 

Quando olhámos os astros

Vimos o sol a nascer

Era a coisa mais bonita

Que podia acontecer

 

Depois de o sol arraiar

Corremos todos os montes

Em todos os vales corria

Água em todas as fontes

 

Terras cobertas de matos

Tão bonitas, uma beleza

Todas ali se criaram

Com o sol da natureza

 

Depois descemos para a aldeia

Com saudade e alegria

Já sabíamos muitas coisas

Era verdade o que se dizia.

 

Já na escola fui aprender

A lição que já sabia

Recordo e não irei esquecer

A lição de astrologia.


 

 

Lisboa, 12 de Dezembro de 2006

sinto-me: Poema de 2006
publicado por poetaromasi às 00:07
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

O meu pensamento

(Foto de Padre Pedro na Póvoa)

 

O MEU PENSAMENTO

 

(Versos de meu pai)

José Augusto Simões)

 

Há no mundo muita gente

Que não faz bem a ninguém

Não pensa que vai morrer

E deixa tudo o que tem.

 

Eu nunca pensei assim

Porque sei que não vou viver

Riqueza pouco me interessa

Interessa é bem-fazer.

 

De tudo o que nós levamos

Na hora da despedida

È o bem que cá fizemos

Nos tempos da nossa vida

 

Bom seria que pensassem

Segredos que a vida tem

Passariam toda a vida

Sem fazer mal a ninguém

 

A nossa alma é pequena

Mas grande é o pensamento

Ajudar a quem precisa

È dever de toda a gente.

 

Há no mundo pouca gente

Que pense fazer o bem

E não há coisa mais bela

Do que dar a quem não tem.

 

Quem me dera ter nascido

E a toda a gente ajudado

Feliz por ter cumprido

Morreria descansado.

 

A Alma que ninguém a vê

Para o homem é mistério

Não se sabe se tem outra vida

Ou acaba no cemitério.

 

Todos devemos pensar

Que andamos enganados

Quando o mundo deixarmos

Podemos ser condenados.

 

Muito tempo ou pouco tempo

Que a gente pode viver

Não podemos descobrir

O que nos irá acontecer

 

Que Deus a todos perdoa

Na hora da despedida

Dos sofrimentos passados

Enquanto tivermos vida

 

De tudo o que a vida nos deu

Tudo vamos esquecer

A vida tem destas coisas

O nosso fim é morrer.

 

Obrigado meu pai por me ter ensinado tão cedo a escrever poesia.

Obrigado por me ter dado a conhecer os poetas.

Obrigado pela vida e pelo seu exemplo de vida.

Rogério Martins Simões

 

PAI

 

No céu vejo uma estrela

No etéreo, Deus nos receberá

Meu pai é a luz mais bela

Que no firmamento brilhará.

 

Vou pedir a Deus por escrito

Que nos junte aos dois no céu

E me chame ao primeiro grito

Com a força que ele nos deu.

 

Rogério Simões

23-03-2004

sinto-me: Quadras
publicado por poetaromasi às 20:20
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Domingo, 10 de Agosto de 2008

A MONTANHA

(foto Padre Pedro - Pampilhosa da Serra)

A MONTANHA

(José Augusto Simões)

 

 

Subi a montanha

Para ver a beleza

Queria falar sozinho

Com a natureza

 

Olhei para o céu

Mas não vi ninguém

Só vi umas nuvens

Em forma de véu

 

Ao chegar ao alto

Era muito cedo

Havia uma voz

- Tu não tenhas medo

 

Chegando ao cimo

Logo me deitei

Tudo era um sonho

Quando acordei

 

Desconhecia tudo

Não sabia nada

Queria subir mais alto

Mas não tinha estrada…

 

Olhei para o lado

E vi um caminho

Uma voz me disse

Não subas sozinho

 

Pensei duas vezes

Não quis arriscar

Do alto do monte

Já só via o mar…

 

Como era tarde

Pensei em descer

O medo era tanto

Que me fez tremer

 

Assim a tremer

Vi uma escadaria

Desci por ela

Vi o que queria…

15/8/2006

sinto-me: POETA COM 86 anos
publicado por poetaromasi às 22:04
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Sábado, 9 de Agosto de 2008

Recordo mulher aquele dia

(Foto do meu casamento)

 

Recordo mulher aquele dia

José Augusto Simões

 

 

Recordo mulher aquele dia

Em que o dia nos deu luz

Saudade e muita alegria

Meu coração no teu depus

 

Dei-te a mão, mão na mão

Sentados num banco do jardim

Foi meu, foi teu, o coração

Que ainda brilha em mim

 

A vinte e sete de Abril

Fizemos uma escritura

Que só podia cessar

Na campa da sepultura

 

Quando fomos à igreja

Fizemos um juramento

Quem ama filhos deseja

E foi tão lindo o momento

 

Três filhos que Deus nos deu

Temos os três no coração

São todos bem-educados

Com respeito e posição

 

Hoje já estamos velhos

Mas entendemo-nos bem

Os nossos filhos não esquecem

Os pais que no mundo têm

 

Lisboa 27 de Janeiro de 2007-03-19

 

sinto-me: 2007
publicado por poetaromasi às 00:36
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Estive um dia no céu

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

ESTIVE UM DIA NO CÉU

(José Augusto Simões)

 

Saí um dia de casa

Encontrei-me num jardim

Olhei para todos os lados

O jardim não tinha fim

 

Era um jardim tão bonito

Viam-se lá tantas flores

Bancos por todo o lado

Feitos de diversas cores

 

Jardim assim tão lindo

Não tinha visto igual

Uma voz me respondeu

- É o jardim Celestial

 

Sentei-me num banco

Olhei se vinha alguém

Era tudo tão branco

Não aparecia ninguém

 

Deixei-me estar mais tempo

Para ver se via alguém

Logo apareceu no jardim

Meu pai e a minha mãe

 

Os dois me abraçaram

E começaram a chorar

- Eras um filho tão querido

Partimos sem te criar…

 

Duas senhoras chegaram

Mostrando um certo cansaço

Eram as minhas duas irmãs

Para me darem um abraço

 

Duas meninas corriam

Cansadas, deram um ai

As duas me beijaram

- Bom dia querido pai

 

Apareceram dois meninos

Sorrindo com satisfação

Assim os dois me saudaram:

- Bom dia querido irmão

 

Depois da família junta

Tudo se pôs a cantar

Até os anjos do céu

Desceram para tocar

 

Uma coisa tão bonita

Há muito tempo não via

Só em Viana do Castelo

Na Senhora da Agonia

 

Assim acabou a festa

Toda a gente desapareceu

Era tudo gente nova

O mais velho era eu

 

Acordei! Ficou o sonho

Todo cheio de alegria

Afinal eu não vi nada

Era tudo fantasia…

 

Lisboa, 2 de Fevereiro de 2007

 

sinto-me: poema de 2007
publicado por poetaromasi às 20:59
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Flores da Primavera

(Foto do casamento de José Augusto Simões & Isabel Martins de Assunção)

FLORES DA PRIMAVERA

 

José Augusto Simões

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

As mais belas flores de Abril

São as que estão em botão

 

Eu nasci na Primavera

Lindos meses lindas cores

Em todos os jardins e campos

Crescem as mais belas flores

 

As flores na Primavera

Crescem em qualquer recanto

Olha-se para todos os lados

Só se vê um lindo manto.

 

As pessoas vão para o campo

Só para ver as belas flores

Por vezes nestes passeios

Arranjam-se lindos amores…

 

Os amores da Primavera

São as flores mais mimosas

Apanham no mês de Maio

Lindos cravos, lindas rosas

 

As rosas da Primavera

Não se podem deitar fora

Quando se tratam mal as flores

Toda a Primavera chora

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

A mais bela flor de Abril

A preservo desde então

 

Em Abril rosa tão bela

Bela rosa de estimação

Ainda hoje a tenho guardado

Dentro do meu coração!

 

Novembro de 2006

sinto-me: Poema de um poeta com 84 anos
publicado por poetaromasi às 01:28
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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