DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

Sonhos loucos...

 

(José Augusto Simões, Rogério Martins Simões, e Isabel Martins Assunção)

 

SONHOS LOUCOS...

José Augusto Simões

 

Quando eu saí da escola

Comecei a ficar obcecado;

Não queria ficar na aldeia

Só para ser pastor de gado.

 

A agricultura não dava,

Era o que na aldeia existia.

Para procurar outra sorte

Só na sede de freguesia.

 

Um dia, de manhã cedo,

De muito frio, e nevoeiro,

Segui por reles caminhos,

Fui parar a Pessegueiro.

 

Ao chegar a Pessegueiro

Estava lá tudo vazio,

Não parou aí a sorte,

Caminhou para o Machio.

 

Quando cheguei ao Machio,

Procurei-a numa eira,

Ela, aí, não quis parar:

Voou para a Amoreira.

 

Caminhei para a Amoreira

Só encontrei uma rosa,

A sorte não ficou por lá:

Seguiu para a Pampilhosa.

 

 

Não gostou da Pampilhosa

Mas, deixou lá um letreiro:

-“Não vi ninguém na rua,

Caminhei para Janeiro.”

 

Fui procurá-la a Janeiro:

Lindas casas muito belas.

Era quase Fevereiro…

Quando cheguei a Dornelas.

 

Quando entrei em Dornelas

Logo me perdi num quelho

Aí recebi um recado:

-Fui para Unhais-o-Velho.

 

Segui p´ra Unhais-o-Velho,

Procurei-a num passal,

Nem sequer por ali passou,

Foi direitinha ao Vidual.

 

Segui para o Vidual

Uma senhora disse então:

- Menino não me leve a mal;

Foi para a Vila de Feijão.

 

Conhecendo eu bem Feijão,

Gente hospitaleira e gentil,

Todos conheciam a sorte,

Era natural do Cabril.

 

Depressa cheguei ao Cabril,

Estava à porta sentada,

Logo se deitou na cama

De correr estava cansada.

 

Eu corri todo o concelho.

No Cabril perdi a esperança.

Quando olhei para o meu corpo

Era uma pequena criança.

 

Uma senhora me disse:

- Menino não corras à toa!

-Se queres procurar a sorte

Tens de ir para Lisboa.

 

Era uma senhora de idade,

Aceitei o seu conselho,

Ainda estou a ver a velhinha,

Em frente do meu espelho.

 

Nunca encontrei a sorte,

Quando eu precisava dela,

Agora que estou velhinho,

Já posso passar sem ela.

 

Lisboa, 5 de Junho de 2010

publicado por poetaromasi às 00:34
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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