DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Jesus

 

 

 

 

JESUS
Rogério Martins Simões
 
Na terra nasceu.
Na terra brincou.
Na terra aprendeu.
Na terra ensinou.
A terra lhe cedeu
Os frutos e o mel.
O homem lhe deu
O vinagre e o fel.
Alguém o viu
Carregar a cruz.
De branco se vestiu
Seu nome era Luz.
Era poeta.
Era sonhador.
Filho e profeta.
Deus do amor.
Cordeiro imolado:
Quem tanto amou!
Da morte libertado
Ressuscitou.
 
Voltou! Da luz:
De luz revestido
De branco cingido,
Seu nome, Jesus.
 
MECO sexta-feira, 10 de Abril de 2009
 
(Dedicado ao saudoso padre José Correia da Cunha)
 
 
 
 
 
SANTA PÁSCOA PARA TODOS
publicado por poetaromasi às 13:10
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

EU NASCI NUMA CASA POBRE


 

(Pampilhosa da Serra foto Padre Pedro)


 

EU NASCI NUMA CASA POBRE

José Augusto Simões

 

Eu nasci numa casa fundeira

Cresci numa casa da serra

As ruas eram a estrumeira

Do esterco se alimenta a terra

 

As casas eram velhinhas

Mas tinham boas lareiras

Minha mãe e as vizinhas

Levavam estrume p´ras leiras

 

Só se juntavam à noite

Ou quando estava a chover

Punham lenha na fogueira

Para todos bem receber

 

Éramos todos primos e amigos

Todos juntos a conviver

Punha-se mais lenha no lume

Foi ali que aprendi a ler

 

Todas elas nos contavam

Cada qual a sua história

Atentos todos escutavam

Tudo ficava na memória

 

Depois de tantas histórias

Coisas que havias nas terras…

Tínhamos as nossas glórias

Subíamos ao alto das serras

 

Quando chegámos ao cimo

Avistávamos o horizonte

Era a serra mais alta

No largo tinha uma fonte.

 

Saía a água da rocha

Muito pura e cristalina

Logo os dois nos baixámos

Para beber água tão fina.

 

Quando olhámos os astros

Vimos o sol a nascer

Era a coisa mais bonita

Que podia acontecer

 

Depois de o sol arraiar

Corremos todos os montes

Em todos os vales corria

Água em todas as fontes

 

Terras cobertas de matos

Tão bonitas, uma beleza

Todas ali se criaram

Com o sol da natureza

 

Depois descemos para a aldeia

Com saudade e alegria

Já sabíamos muitas coisas

Era verdade o que se dizia.

 

Já na escola fui aprender

A lição que já sabia

Recordo e não irei esquecer

A lição de astrologia.


 

 

Lisboa, 12 de Dezembro de 2006

sinto-me: Poema de 2006
publicado por poetaromasi às 00:07
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Estive um dia no céu

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

ESTIVE UM DIA NO CÉU

(José Augusto Simões)

 

Saí um dia de casa

Encontrei-me num jardim

Olhei para todos os lados

O jardim não tinha fim

 

Era um jardim tão bonito

Viam-se lá tantas flores

Bancos por todo o lado

Feitos de diversas cores

 

Jardim assim tão lindo

Não tinha visto igual

Uma voz me respondeu

- É o jardim Celestial

 

Sentei-me num banco

Olhei se vinha alguém

Era tudo tão branco

Não aparecia ninguém

 

Deixei-me estar mais tempo

Para ver se via alguém

Logo apareceu no jardim

Meu pai e a minha mãe

 

Os dois me abraçaram

E começaram a chorar

- Eras um filho tão querido

Partimos sem te criar…

 

Duas senhoras chegaram

Mostrando um certo cansaço

Eram as minhas duas irmãs

Para me darem um abraço

 

Duas meninas corriam

Cansadas, deram um ai

As duas me beijaram

- Bom dia querido pai

 

Apareceram dois meninos

Sorrindo com satisfação

Assim os dois me saudaram:

- Bom dia querido irmão

 

Depois da família junta

Tudo se pôs a cantar

Até os anjos do céu

Desceram para tocar

 

Uma coisa tão bonita

Há muito tempo não via

Só em Viana do Castelo

Na Senhora da Agonia

 

Assim acabou a festa

Toda a gente desapareceu

Era tudo gente nova

O mais velho era eu

 

Acordei! Ficou o sonho

Todo cheio de alegria

Afinal eu não vi nada

Era tudo fantasia…

 

Lisboa, 2 de Fevereiro de 2007

 

sinto-me: poema de 2007
publicado por poetaromasi às 20:59
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

PÓVOA - Visitei a minha Aldeia

 

(Eira)

 

 

PÓVOA – Visitei a minha aldeia
José Augusto Simões
 
No dia vinte de Maio
Fui à terra onde nasci
Estive em dois mil e quatro
Não foi surpresa o que vi
 
A Aldeia está bonita
Lindas casas e estimadas
É pena estarem desertas:
Não estarem habitadas
 
As terras de agricultura
Estão todas abandonadas
As terras, como a cultura,
Precisam de ser cultivadas…
 
A Aldeia está bonita!
Mais parece uma Cidade…
Para mim está mais triste
Por ter pouca mocidade
 
Quando eu era garoto
Casas toscas e estrumeira
Havia tantas crianças
Que quase enchiam a eira:
 
Pequenas ruas e estreitas
Povo na rua e nas vielas
Em todas as casas se viam
Muitos jovens às janelas
 
O povo abandonou a Aldeia
Com tristeza e emoção
Procuraram outras terras
Para ter melhor condição
 
Agora os que lá vivem
Vivem em boas condições
Trabalharam toda a vida
Para amealharem uns tostões…
 
Conterrâneos e amigos
Falo com palavra séria
Na Póvoa onde nascemos
Já não existe miséria!
 
Lisboa, 25 de Junho de 2008
 
 
 
 

 


 

José Augusto Simões e primas

publicado por poetaromasi às 23:51
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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