DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Terça-feira, 26 de Julho de 2011

RAMOS a minha família

(foto Padre Pedro)

 

RAMOS

A minha família

 

A família do meu avô materno, Francisco António Ramos, era da Póvoa.

A minha avó materna, Antónia de Almeida, mãe de minha mãe, Maria da Ascenção Ramos, era da família Almeida de Moniho.

Moninho, terra querida, onde só 4 famílias não pertenciam à minha descendência.

De acordo com um testamento, cujo documento se encontra na posse do meu filho, os meus bisavôs, por parte de minha mãe, são João António e Maria Ramos.

João António era irmão de Joaquina Luiza, com a profissão de fiadeira que nasceu na Póvoa em 1809 e era casada com Manuel Pedro e não tiveram filhos.

Parece-me, lendo aqueles documentos, que Maria Ramos, minha Bisavó, terá casado na Póvoa com o meu bisavô João António que era da Póvoa.

A verdade é que Joaquina Luiza deixou em testamento aos seus sobrinhos e meus avós, Francisco António Ramos e Antónia de Almeida, as propriedades que possuía, nomeadamente, uma terra de milho na chamada “Quebrada” e uma barroca com seis castanheiros e duas testadas, num lugar a que chamam “Vale da Maia”, adquiridas a Manuel Barata e sua mulher Joana Gonçalves.

 

António Ramos, meu tio-avô (irmão do meu avô Francisco António Ramos) teve 4 filhos.

1.     António Maria Ramos, casou com Maria da Trindade e teve 6 filhos:

1.1.          José Maria Ramos nasceu a 5 de Junho de 1916 e faleceu a 7 de Abril de 1991;

1.2.          Albano Lopes Ramos nasceu a 15/8/1919 e faleceu a 21/5/1986;

1.3.           António Maria Ramos nasceu a 9/11/1921;

1.4.          Eduardo Ramos nasceu a 12/10/1924;

1.5.          Alberto Ramos nasceu a 7/4/1933;

1.6.          Maria dos Anjos Ramos nasceu a 25/11/1935

2.     José Maria Ramos casou em Pescanseco e teve 5 filhos;

2.1.          Manuel Ramos;

2.2.          José Ramos;

2.3.          Joaquim Ramos;

3.     Bernardina de Jesus Ramos casou com José Gonçalves e tiveram 3 filhos:

3.1.          Maria Gonçalves nasceu em 1907;

3.2.          Manuel Gonçalves nasceu em 1910;

3.3.          Maria da Encarnação Gonçalves nasceu em 1912.

4.     Maria de Jesus Ramos, casou na Ribeira de Praçais e teve 5 filhos:

4.1.          José Ramos;

4.2.          Eduardo Ramos;

4.3.          Francisco Ramos;

4.4.          António Ramos;

4.5.          Amália Ramos.

5.     Antónia Ramos (Tonita do Vale) não deixou descendentes.

 

Os meus avós, Francisco António Ramos, e Antónia de Almeida tiveram 3 filhos:

1.     António Ramos de Almeida, meu tio, que nasceu no ano de 1875 e faleceu no ano de 1937. Casou com Maria da Conceição, natural de Porto de Castanheira, Freguesia de Teixeira - Arganil. Não deixaram descendentes.

2.     José Ramos de Almeida, meu tio, que nasceu em 17/9/1877 e faleceu em 6/6/1966. Era casado com Palmira da Conceição e tiveram 4 filhos:

2.1.          José Augusto Ramos de Almeida nasceu em 14/10/1917;

2.2.          Maria dos Anjos Ramos nasceu a 1/7/1921;

2.3.          Laura Ramos (Laurita) nasceu 11/8/1922;

2.4.          Eduardo Ramos de Almeida nasceu em 11/12/1930.

3.     Maria da Ascensão Ramos, minha mãe, que nasceu em 6 de Janeiro de 1882 e faleceu em 12 de Março de 1938. Casou com meu pai António Antunes Simões que do seu casamento tiveram 5 filhos:

3.1.          Maria da Nazaré Simões, nascida a 21 de Abril de 1913 e faleceu a 22 de Janeiro de 1975;

3.2.          José Maria Simões, nasceu em 1915 e faleceu em 1920;

3.3.          Laura da Conceição Simões nasceu em 1917 e faleceu nesse ano com 7 meses;

3.4.          Laura da Conceição Simões nasceu a 4 de Dezembro de 1919 e faleceu em 25 de Abril de 1997;

3.5.          José Augusto Simões nasceu em 20 de Maio às 5,30 da manhã, mas, por engano, estou registado como tendo nascido em 19 de Maio de 1922.

 

Em memória da minha mãe Maria Ascenção Ramos

 

José Augusto Simões

2004-02-23

publicado por poetaromasi às 20:03
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Eduardo Ramos de Almeida, meu primo direito, um homem grande!

 

José Augusto Simões e Laurita Ramos

 

Primos direitos - filhos de irmãos.

 

 

Carlos Ramos de Almeida, deixou um comentário ao post RAMOS a minha família às 01:15, 2010-10-26.

EDUARDO RAMOS DE ALMEIDA

Por seu filho, Carlos Ramos de Almeida


Comentário:
Rogerio, Encontrei este blog por acaso. A tecnologia, na verdade, não tem distância e faz-nos reencontrar com o passado, quando menos esperamos. Eu não esperava encontrar a historia tão detalhada da parte dos meus antecessores, e eis que vejo algo com o qual eu me questionava, há já algum tempo.

Agradeço o tempo que o seu pai, José Augusto Simões, primo direito do meu pai, dispôs na investigação sobre quem eram os nossos avós e bisavós.

O meu pai, Eduardo Ramos de Almeida, nascido a 11 de Dezembro de 1930, era como meu irmão Pedro Almeida mencionou acima, um homem extraordinário. Dentro da sua geração, e limitado pelas contrariedades da vida, teve sempre uma forca tal, que eu e o meu irmão jamais podemos esquecer. Fez-nos homens de sensibilidade e preparou-nos dentro do melhor espírito de dignidade e honestidade que são valores que nos tentaremos transmitir aos nossos filhos.

Gostaria de escrever mais palavras sobre o que eu meu Pai foi e o que representou. Mas, infelizmente, não há vocabulário suficiente para o descrever com mais exactidão. Sinto muito a sua falta, e por muito que eu o disfarce, esse e o meu profundo sentimento. Estou certo que o meu irmão concordara comigo e com estas minhas palavras. Não obstante a tristeza, há lugar para alegria. Uma alegria, por afinal, saber que o meu Pai foi um homem gigante de valores e de dedicação a vida e aos filhos. Uma alegria serena mas forte, que nos conforta para qualquer parte onde nos encontremos. E essa alegria e grande sentimento que levo sempre comigo, em sua memória. Mesmo longe, a viver nos EUA, a sua presença e constante. Jamais desaparecera. Obrigado pelo Post e bem-haja.

Carlos Ramos de Almeida

 

 

 

Nota: Querido primo, nós somos filhos da mesma cepa... Minha Avô era irmã do seu avô e meu tio José Ramos. Toda a família tinha um especial carinho pelo nosso primo, Eduardo Ramos, teu pai.

Já transmiti ao meu querido pai a tua mensagem e ele ficou encantado. Finalmente modifiquei os créditos deste trabalho de investigação, meu pai, teu primo José Augusto Simões

Com muita amizade e muita luz,

Rogério Martins Simões

publicado por poetaromasi às 21:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Jesus

 

 

 

 

JESUS
Rogério Martins Simões
 
Na terra nasceu.
Na terra brincou.
Na terra aprendeu.
Na terra ensinou.
A terra lhe cedeu
Os frutos e o mel.
O homem lhe deu
O vinagre e o fel.
Alguém o viu
Carregar a cruz.
De branco se vestiu
Seu nome era Luz.
Era poeta.
Era sonhador.
Filho e profeta.
Deus do amor.
Cordeiro imolado:
Quem tanto amou!
Da morte libertado
Ressuscitou.
 
Voltou! Da luz:
De luz revestido
De branco cingido,
Seu nome, Jesus.
 
MECO sexta-feira, 10 de Abril de 2009
 
(Dedicado ao saudoso padre José Correia da Cunha)
 
 
 
 
 
SANTA PÁSCOA PARA TODOS
publicado por poetaromasi às 13:10
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Dançam as Moças solteiras

 

(Foto do Rancho Folclórico da Pampilhosa da Serra)

 

 

 

DANÇAM AS MOÇAS SOLTEIRAS
Rogério Martins Simões
 
Refrão
 
Dorme, dorme, passarinho…
No cimo!, à minha beira
De que servem lençóis de linho?
Minha mãe morreu solteira!
 
 
Cantem as moças brejeiras
Há muito trigo p´ra comer…
Dancem casamenteiras
De que serve solteiras ter?
 
Minha mãe me vou lavar
Nas margens do meu rio
Quem me quer para casar?
Minha mãe tremo de frio…
 
Dorme, dorme, passarinho…
No cimo!, à minha beira
De que servem lençóis de linho?
Minha mãe morreu solteira!
 
A galinha põe os ovos
O galo canta e preguiça…
Casaram os moços novos
Outros foram dizer missa
 
 
 
Os ovos já não dão pintos
Os pintos não irão nascer…
No peito crescem jacintos…
Quem virá para os colher?
 
Dorme, dorme, passarinho…
No cimo!, à minha beira
De que servem lençóis de linho?
Minha mãe morreu solteira!
 
Nos potes das velhas casas
Há azeitonas com fartura
- Meninas batam as asas…
Quem fica perde ventura.
 
Nas leiras lavravam machos
Nas adegas corria o vinho
Tiraram o mosto aos cachos…
O meu bem vai a caminho…
 
Dorme, dorme, passarinho…
No cimo!, à minha beira
De que servem lençóis de linho?
Minha mãe morri solteira!
 
Lisboa, 6 de Agosto de 2008
 

 

publicado por poetaromasi às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Sábado, 9 de Agosto de 2008

Recordo mulher aquele dia

(Foto do meu casamento)

 

Recordo mulher aquele dia

José Augusto Simões

 

 

Recordo mulher aquele dia

Em que o dia nos deu luz

Saudade e muita alegria

Meu coração no teu depus

 

Dei-te a mão, mão na mão

Sentados num banco do jardim

Foi meu, foi teu, o coração

Que ainda brilha em mim

 

A vinte e sete de Abril

Fizemos uma escritura

Que só podia cessar

Na campa da sepultura

 

Quando fomos à igreja

Fizemos um juramento

Quem ama filhos deseja

E foi tão lindo o momento

 

Três filhos que Deus nos deu

Temos os três no coração

São todos bem-educados

Com respeito e posição

 

Hoje já estamos velhos

Mas entendemo-nos bem

Os nossos filhos não esquecem

Os pais que no mundo têm

 

Lisboa 27 de Janeiro de 2007-03-19

 

sinto-me: 2007
publicado por poetaromasi às 00:36
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Estive um dia no céu

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

ESTIVE UM DIA NO CÉU

(José Augusto Simões)

 

Saí um dia de casa

Encontrei-me num jardim

Olhei para todos os lados

O jardim não tinha fim

 

Era um jardim tão bonito

Viam-se lá tantas flores

Bancos por todo o lado

Feitos de diversas cores

 

Jardim assim tão lindo

Não tinha visto igual

Uma voz me respondeu

- É o jardim Celestial

 

Sentei-me num banco

Olhei se vinha alguém

Era tudo tão branco

Não aparecia ninguém

 

Deixei-me estar mais tempo

Para ver se via alguém

Logo apareceu no jardim

Meu pai e a minha mãe

 

Os dois me abraçaram

E começaram a chorar

- Eras um filho tão querido

Partimos sem te criar…

 

Duas senhoras chegaram

Mostrando um certo cansaço

Eram as minhas duas irmãs

Para me darem um abraço

 

Duas meninas corriam

Cansadas, deram um ai

As duas me beijaram

- Bom dia querido pai

 

Apareceram dois meninos

Sorrindo com satisfação

Assim os dois me saudaram:

- Bom dia querido irmão

 

Depois da família junta

Tudo se pôs a cantar

Até os anjos do céu

Desceram para tocar

 

Uma coisa tão bonita

Há muito tempo não via

Só em Viana do Castelo

Na Senhora da Agonia

 

Assim acabou a festa

Toda a gente desapareceu

Era tudo gente nova

O mais velho era eu

 

Acordei! Ficou o sonho

Todo cheio de alegria

Afinal eu não vi nada

Era tudo fantasia…

 

Lisboa, 2 de Fevereiro de 2007

 

sinto-me: poema de 2007
publicado por poetaromasi às 20:59
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

Flores da Primavera

(Foto do casamento de José Augusto Simões & Isabel Martins de Assunção)

FLORES DA PRIMAVERA

 

José Augusto Simões

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

As mais belas flores de Abril

São as que estão em botão

 

Eu nasci na Primavera

Lindos meses lindas cores

Em todos os jardins e campos

Crescem as mais belas flores

 

As flores na Primavera

Crescem em qualquer recanto

Olha-se para todos os lados

Só se vê um lindo manto.

 

As pessoas vão para o campo

Só para ver as belas flores

Por vezes nestes passeios

Arranjam-se lindos amores…

 

Os amores da Primavera

São as flores mais mimosas

Apanham no mês de Maio

Lindos cravos, lindas rosas

 

As rosas da Primavera

Não se podem deitar fora

Quando se tratam mal as flores

Toda a Primavera chora

 

Tenho no céu flores mil

Tenho na terra o coração

A mais bela flor de Abril

A preservo desde então

 

Em Abril rosa tão bela

Bela rosa de estimação

Ainda hoje a tenho guardado

Dentro do meu coração!

 

Novembro de 2006

sinto-me: Poema de um poeta com 84 anos
publicado por poetaromasi às 01:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Ontem vi meu pai chorar

(Fonte da Póvoa - Foto de padre Pedro)

Ontem vi meu pai chorar

Ontem meu pai legou-me a cadeira que há 57 anos comprou e onde sempre se sentou. Quando a retirou do escritório e a entregou: eu vi o meu PAI chorar!

Era uma vez um menino órfão que bem cedo abandonou a sua aldeia - A Póvoa - Pampilhosa da Serra.

Deixou para trás a bola de trapos, os companheiros de escola, da brincadeira e do trabalho; as pessoas a quem lia e escrevia as cartas e o trabalho duro da aldeia.

Era muito cedo a manhã. A sua mãe, doente, rezou consigo as últimas orações e entregou ao menino, um saco de pano com as poucas “roupitas coçadas” e um naco de broa para disfarçar a fome na viagem.

Trazia consigo a vontade de vencer e na bagagem a mocidade perdida.

Tinha uma memória espantosa que conservou toda a vida.

Carregava no pensamento a aventura. Era responsável e sonhava vir a ter uma vida melhor (secreta ilusão de quem foi incapaz de renegar a educação).

Percorreu a pé grande distância que o separava da camioneta e soletrava, palavra por palavra, os últimos conselhos de sua mãe.

Finalmente o comboio a carvão que apanhou na Lousã e no dia seguinte chegou à cidade que a partir daí chamou de sua.

Lisboa, nesse tempo, fervilhava de trabalhadores migrantes na sua própria Nação.

A Europa estava em guerra mas, o menino, disso pouco sabia. Recordava-se de um velho parente escutar a telefonia, às escondidas, e de ouvir falar em surdina... Depois não havia jornais: tinha mato para apanhar e o estrume com que se fertilizavam as leiras para carregar.

Tão pequeno e já alombava os cabazes da mercearia!

 - Que importa se já estava habituado! Afinal os passeios eram melhores que o caminho das cabras...

Mas sonhava! Todos os meninos sonham!

Às vezes, ainda há pouco se tinha deitado e já estava levantado para voltar a carregar as mercearias e, enquanto subia as escadas mais íngremes, rezava à espera de um milagre lhe trouxesse de volta a escola para um dia ser “doutor”

Mas sonhava! Sonhava, digo eu, pois o sonho é a compensação de quem tanto sofreu.

O menino queria estudar! Ser alguém! Mas a tragédia tornou a voltar numa Terça-feira - morreu a sua mãe lá na Aldeia!

Nas vésperas, houve uma grande azáfama na Póvoa!

A minha avó, de nome Maria, fez questão em anunciar, nessa sexta-feira, que no dia seguinte partiria numa viagem para o Céu.

E disse à irmã do menino:

- Laura limpa muito bem a casa e logo, quando acabares, vai chamar o Povo.

Mas a menina chorava enquanto limpava a casa com a vassoura de carqueja.

Por fim, lá foi de casa em casa e transmitiu a mensagem da "Ti Mariquitas” e o Povo da Aldeia foi em peso sentir o peso das palavras da minha avó.

Chamou de novo a irmã do menino, e disse:

- Laura vai chamar o “Ti Manuel Barrocas” para me tirar as medidas para fazer o meu caixão.

A minha tia a chorar não queria ir, mas foi!

O dia chegava ao fim e com ele o Sábado (12 de Março de 1938), fim anunciado da mãe do menino.

- Dizem que a minha avó se despediu de todos e pediu perdão de todas as suas ofensas, se ofensa tivera para com alguém.

- Dizem que nessa tarde de Sábado elevou as mãos aos Céus e clamando por Deus a sua alma se elevou para junto dos seus...

Faço aqui um parágrafo: Toda esta história não é uma história ou uma fábula.

Recordo-me do menino, já pai - meu pai - contar que a sua mãe, a minha avó, ainda terá dito:

- O meu filho escreveu-me hoje uma carta! Mas não vai chegar a tempo porque vou morrer e a carta só vai chegar na segunda-feira.

Minha avó faleceu a um Sábado, no dia 12 de Março de 1938, e foi sepultada ao Domingo como ela sempre pediu ao seu DEUS

Meu pai só recebeu a notícia por carta, na mercearia da Rua do Grilo, na Terça-feira dia 15 de Março de 1938.

Tudo isto foi-me contado em menino por meu pai e confirmado por parentes que presenciaram os factos e a sua vida.

Lisboa, 25 de Agosto de 2004

Rogério Simões

sinto-me: Foto padre Pedro
publicado por poetaromasi às 08:13
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Memórias de um poeta

(Foto de Romasi)

MEMÓRIAS do um filho de UM POETA

(Rogério Martins Simões)

Em Março de 2004, como muitos o sabem, embarquei nesta aventura dar a conhecer a minha poesia.

Ao longo dos últimos 16 meses fui resistido à tentação do fogo e isso devo a vós - a todos aqueles que me lêem, quase um milhão de acessos.

Só quem a escreve; só quem é o seu autor, tem o direito de a rasgar ou de a queimar.

Sou contra todo o outro tipo de fogueira, mas isso não são contas do meu presente rosário.

Comecei bem cedo a escrever poesia por culpa do meu querido pai e do ar contemplativo de minha mãe que não sabia, nem sabe, escrever - mas isso são contas de outro rosário - pois à mulher era quase negado o direito a estudar.

Dizia eu, ou estava para dizer, vivi numa humilde casa em Lisboa, paredes-meias com a feira-da-ladra, onde fui crescendo, escutando e vendo.

Comecei por aprender que a poesia cresce com a alma e escreve-se com amor e isto ensinou-me o meu querido pai: José Augusto Simões. Homem culto, simples, honesto, solidário, bom marido e bom pai.

Sobre o meu pai já escrevi o “insuficiente”, pois, todas as palavras ou poemas não chegam para lhe dedicar.

Nasci em Julho de 1949 e nos anos 50 eu era menino.

A casa de meus pais, nesse tempo, fervilhava de familiares e amigos que deixavam as suas aldeias, na Beira Baixa, em busca de uma vida melhor. Meu pai e minha mãe recebiam-nos cedendo, a sua própria cama. E foi assim até há poucos anos.

Dormia-se por tudo que era canto - por turnos - "pouca sorte partir; pouca sorte chegar"

Meu pai era um humilde comerciante de sacos usados, nada tinha e tudo dava. Sabia de tudo, tudo sabia; tivesse eu a sua brilhante memória. Não conheço ou conheci, sem qualquer favoritismo ou por simples acto de amor, algo semelhante, pois, ainda a conserva viva e activa apesar de ter nascido em 1922.

A minha mãe aceitava tudo o que o meu pai fazia e davam tudo sem nada em troca.

À noite - mesa cheia - naquela mais humilde casa - escutava histórias de fantasia e de encantar e muita poesia, declamado por meu pai, que todos com prazer escutavam.

Sabia de cor todos os livros por onde estudou e a poesia que neles conheceu e decorou. Depois, vinham todas noites rezar sobre a minha cabeça. (Tenho orações lindas com mais de 200 anos)

Fui crescendo, (não vos quero maçar), e, para abreviar, iniciei-me na poesia pela caneta de meu pai. Eu, ou melhor - meu pai - ganhava todos os prémios sobre poesia nas escolas por onde andei.

Nos anos de 60 do século passado escrevi, por minha mão, os meus primeiros poemas com a alma do meu pai. Já nesse tempo, a minha poesia a nascer, mergulhava na tristeza e cantava a vida com as cores do dia-a-dia. Cantava o que via ou o que não deveria e o que via era triste - mas isso são contas de outro rosário - pois, tudo era proibido.

Contaram-me, certo dia, que nas paredes do Aljube estava escrito com tinta vermelha de sangue a palavra LIBERDADE. A partir daí comecei a soletrar as letras do Zeca Afonso, do Adriano Correia de Oliveira, do Luís Cília do José Mário Branco e outros como o Sérgio Godinho e passei a militar na JOC (Juventude Operária Católica).

Aprendi que a poesia, escrita com a alma e com amor, tinha de ser disfarçada como se faz no contrabando.

Daí em diante era assim: poesia para lerem era escrita por metáfora. A outra, a Poesia era para esconder, mas, às vezes, arriscava.

Ao longo da minha vida escrevi mais de 11 livros de poesia que fui rasgando ou queimando ao sabor dos amores, desamores e erros meus.

Pouco resta! Duas pastas velhas que fui escondendo dos ímpetos do coração

Sobraram poucos, não os vou rasgar porque apesar da sua fraca qualidade têm a alma de meu pai e muitas imagens que pintei desses tempos.

Acabo com duas quadras que me recordo, nem estavam escritas, mas o poema está incompleto:

Sentado em minha cama

Entre lágrimas e pranto

Eu pergunto a Deus

Porquê chorar tanto

Se há tanta gente alegre

Por esse mundo além

Eu aqui penso e choro

Choro mais que ninguém!

1964

 

Vou terminar senão não paro de escrever as memórias…

Com estas palavras apenas vos quero dizer quanto amo a poesia, os poetas, e o meu mestre: O meu pai, o aluno brilhante, 3 vezes prémio escolar, do melhor aluno, na Pampilhosa da Serra.

Saudades

06-10-2005 21:45

 

sinto-me: Memórias
publicado por poetaromasi às 19:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Sexta-feira, 20 de Maio de 2005

84 anos!

(Óleo sobre tela Elisabete Sombreireiro Palma)

PAI PARABÉNS pelos 84 anos

Eu sei que no seu bilhete de identidade consta ter nascido a19 de Maio de 1922 mas a data está errada!

Pai, há tantas coisas erradas nos registos!

Se procurasse no Registo pela data do seu nascimento havia de ser bonito. E se eu insistisse, que o pai nasceu no dia 20 em vez do dia 19, chamar-me-iam teimoso ou louco varrido.

É por isso que há por aí tantos loucos, encarcerados na sua sadia loucura, e se verdades dizem não passam de uns insanos.

Às vezes penso: se existem certos actos ditos de loucura, encarados e vistos como tal, eles têm como sublime vantagem de se concretizarem nos sonhos.

Não foram loucos os Santos, e tantas pessoas nobres, que se despiram para oferecerem os trajes aos pobres!

Não são loucos os sonhadores de um mundo melhor, que oferecem toda uma vida a uma causa maior!

Foi loucura viajar no espaço da incerteza e aterrar no império do esplendor como o fez São Francisco de Assis!

Eu sei que sou um sonhador: nem sempre sou o que pareço! E se pareço ser o que não sou, sou aquilo que bem conheço.

Dizia Pessoa que poeta é ser fingidor!

- Mas eu não finjo, obrigam-me a fingir!

- Eu não morro, obrigam-me a morrer!

- Eu não sofro, obrigam-me a sofrer!

E se sofrer tanta dor não compensa, ser solidário recompensa exigindo que a vida seja melhor onde a ela exista e aconteça.

Pai! Estas palavras são hoje inteiramente para si apesar de me ter perdido em deambulações.

Quando comecei a escrever, sem ter a menor ideia do que lhe iria dizer, sobravam-me as palavras. Agora, faltam-me as palavras que às vezes tanto me sobram.

Mas tenho tantas palavras para si, meu pai!

Ainda há pouco, enquanto conduzia, latejavam-me os sentimentos e tinha na cabeça cearas de pensamentos deambulando em movimentos.

- Brotavam-me tantas emoções!

- Tantas lembranças!

- Tantas recordações!

Sabe, meu pai, herdei de si esta enorme fortuna que agora sei que desprezam: O sentido da honra; a sensibilidade; a humildade e acima de tudo a honestidade.

E se rico não fico, com esta tamanha riqueza, é porque me vejo aflito, quando aflito eu fico, para ajudar os seus netos.

Pai parabéns!

Como vê, desta vez, não me esqueci, se alguma vez esquecer o esqueci.

Que filho poderá esquecer um ser tão precioso como o pai!?

Que filho se deslembra daquele que nunca se esquece, de nada, mas apenas se esquece de si!

Recorda-se, meu pai, de nos declamar tanta poesia!? Tantos poetas! Como este poema de dia de anos (ou desenganos), de João de Deus, que o pai recitava, sempre, em seus anos

(escrito em 20/05/2004)

Rogério Martins Simões

sinto-me: 1922 - 2006
publicado por poetaromasi às 01:21
link do post | comentar | favorito
|

Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



.posts recentes

. RAMOS a minha família

. Eduardo Ramos de Almeida,...

. Jesus

. Dançam as Moças solteiras

. Recordo mulher aquele dia

. Estive um dia no céu

. Flores da Primavera

. Ontem vi meu pai chorar

. Memórias de um poeta

. 84 anos!

. Na Póvoa 2004

. Na Eira

. Festa da Póvoa

. A vida dura dos serranos

.arquivos

.pesquisar