DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Minha mãe mandou-me à Vila...

 

PAMPILHOSA DA SERRA

 

Foto da autoria de Padre Pedro

 

 

 

 
Minha mãe mandou-me à Vila
José Augusto Simões
 
Minha mãe mandou-me à Vila,
Enganei-me no caminho,
Quando dei pelo engano,
Já estava em Moninho.
 
Quando eu ia a chegar
Havia festa e arraial.
Segui por outros caminhos.
Fiz encontro no Sobral.
 
Quando estava no Sobral,
Tudo mudou de feições,
Segui por um reles caminho,
Fiz paragem nos Covões.
 
Estando eu nos Covões,
Logo mudei as ideias,
Atravessei o rio Unhais,
Assim cheguei às Aldeias.
 
À saída das Aldeias
Tomei outra direcção:
Caminhei mais uma hora,
Estava no Vale Serrão
 
Saindo do Vale Serrão
Vi que não tinha sapatos.
Caminhei mais dois quilómetros,
Assim cheguei aos Lobatos.
 
Quando saí dos Lobatos,
Avistei uma serra airosa,
Desci o Cabeço da Urra,
Estava na Pampilhosa.
 
Ao chegar à Pampilhosa,
Armado em papo-seco…
Em vez de seguir prà Póvoa
Fui parar a Pescanseco.
 
Pescanseco terra amiga,
Aí acabou a caminhada:
Comecei a andar à pressa,
A noite estava chegada.
 
Acordei, passou o sonho,
Estava tudo bem certinho:
Não fui a terra nenhuma!
Nem sequer fui a Moninho.
 
Lisboa, 16 de Julho de 2009

 

publicado por poetaromasi às 18:21
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

EU NASCI NUMA CASA POBRE


 

(Pampilhosa da Serra foto Padre Pedro)


 

EU NASCI NUMA CASA POBRE

José Augusto Simões

 

Eu nasci numa casa fundeira

Cresci numa casa da serra

As ruas eram a estrumeira

Do esterco se alimenta a terra

 

As casas eram velhinhas

Mas tinham boas lareiras

Minha mãe e as vizinhas

Levavam estrume p´ras leiras

 

Só se juntavam à noite

Ou quando estava a chover

Punham lenha na fogueira

Para todos bem receber

 

Éramos todos primos e amigos

Todos juntos a conviver

Punha-se mais lenha no lume

Foi ali que aprendi a ler

 

Todas elas nos contavam

Cada qual a sua história

Atentos todos escutavam

Tudo ficava na memória

 

Depois de tantas histórias

Coisas que havias nas terras…

Tínhamos as nossas glórias

Subíamos ao alto das serras

 

Quando chegámos ao cimo

Avistávamos o horizonte

Era a serra mais alta

No largo tinha uma fonte.

 

Saía a água da rocha

Muito pura e cristalina

Logo os dois nos baixámos

Para beber água tão fina.

 

Quando olhámos os astros

Vimos o sol a nascer

Era a coisa mais bonita

Que podia acontecer

 

Depois de o sol arraiar

Corremos todos os montes

Em todos os vales corria

Água em todas as fontes

 

Terras cobertas de matos

Tão bonitas, uma beleza

Todas ali se criaram

Com o sol da natureza

 

Depois descemos para a aldeia

Com saudade e alegria

Já sabíamos muitas coisas

Era verdade o que se dizia.

 

Já na escola fui aprender

A lição que já sabia

Recordo e não irei esquecer

A lição de astrologia.


 

 

Lisboa, 12 de Dezembro de 2006

sinto-me: Poema de 2006
publicado por poetaromasi às 00:07
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

PÓVOA - Visitei a minha Aldeia

 

(Eira)

 

 

PÓVOA – Visitei a minha aldeia
José Augusto Simões
 
No dia vinte de Maio
Fui à terra onde nasci
Estive em dois mil e quatro
Não foi surpresa o que vi
 
A Aldeia está bonita
Lindas casas e estimadas
É pena estarem desertas:
Não estarem habitadas
 
As terras de agricultura
Estão todas abandonadas
As terras, como a cultura,
Precisam de ser cultivadas…
 
A Aldeia está bonita!
Mais parece uma Cidade…
Para mim está mais triste
Por ter pouca mocidade
 
Quando eu era garoto
Casas toscas e estrumeira
Havia tantas crianças
Que quase enchiam a eira:
 
Pequenas ruas e estreitas
Povo na rua e nas vielas
Em todas as casas se viam
Muitos jovens às janelas
 
O povo abandonou a Aldeia
Com tristeza e emoção
Procuraram outras terras
Para ter melhor condição
 
Agora os que lá vivem
Vivem em boas condições
Trabalharam toda a vida
Para amealharem uns tostões…
 
Conterrâneos e amigos
Falo com palavra séria
Na Póvoa onde nascemos
Já não existe miséria!
 
Lisboa, 25 de Junho de 2008
 
 
 
 

 


 

José Augusto Simões e primas

publicado por poetaromasi às 23:51
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Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

As Fotos (agradecimento)

Pampilhosa_serra1.JPG

 

As Fotos (agradecimento)

 

O Pároco Pampilhosa da Serra, fez chegar às minhas mãos um CD contendo milhares de fotografias deste Concelho tão esquecido dos políticos.

Sem nada pedir em troca (apenas a sua divulgação), o que já não vem sendo hábito dos homens, encontrei na pessoa de um Sacerdote (Católico) um imenso amor pela Beira Serra (Beira Baixa) e um desprendimento ao bem material que poderia obter com tão belas fotografias.

O Padre Pedro, depois de rezar e tratar das almas dos seus paroquianos, usa a sua máquina fotográfica com arte, mestria e paciência, para passar à posteridade imagens que, de todo, já se pensava que não se conseguissem obter.

O Padre Pedro fotografa: as gentes que restam nas aldeias (em especial os idosos): os cantos e recantos que preenchem o nosso imaginário: as aldeias perdidas na serra: as tradições e lugares secretos deste paraíso encantado, que permanece sereno e sem mácula, apenas manchado, aqui e além, pelos sinais dos incêndios que desbastam a sua riqueza regional – os pinheiros.

Neste Concelho impera:

O silêncio, a paisagem, o rio e a barragem.

O gavião, a águia, o melro, o gaio e o cuco.

As gentes trabalhadoras que já no fim da vida regressam à aldeia.

As festas de Agosto e Setembro, as filhozes, o pão-de-ló e as tigeladas.

A matança do porco, o presunto, os maranhos, o sarrabulho a chanfana e tantas iguarias, como o cabrito o mel e a broa de milho.

Às vezes até é bom que se esqueçam, dizemos nós os que lá não vivemos o ano inteiro, pois a paisagem continua virgem, sublime: mas rude e agreste para quem lá vive o ano inteiro, como os gelos que de lá se avistam na Serra da Estrela e que no Invernos cobrem a região.

Voltando ao CD, o Padre Pedro dividiu este verdadeiro álbum fotográfico em diversas pastas que passo a transcrever, (para fazer crescer água na boca a quem conhece o Concelho):

  1. Até à Portela do Fojo
  2. Neve
  3. Rio Zêzere
  4. Rio Zêzere (nevoeiro)
  5. Aradas
  6. Machio
  7. Pessegueiro
  8. Pampilhosa da Serra até aos Padrões
  9. Alto do Concelho
  10. Ilha dos Padrões I
  11. Ilha dos Padrões II
  12. Santa Luzia (anoitecer)
  13. Entardecer
  14. Santa Luzia
  15. Pampilhosa da Serra entardecer I
  16. Pampilhosa da Serra entardecer II
  17. Fogo
  18. Noite
  19. Póvoa
  20. Procissão do Enterro do Senhor.

- Os meus agradecimentos Sr. Padre Pedro e uma sugestão: comercialize o seu CD para as obras de caridade da sua Paróquia.

Cá por mim continuarei a utilizar preferencialmente estas imagens neste blog e em especial no blog, que criei para meu pai, http://povoa.blogs.sapo.pt., local esse preferencial para a divulgação destas fotos.

Bem-haja.

Deste seu amigo e descendente dos Simões e Henriques da Pampilhosa da Serra.

Rogério Simões

23-09-2004 23:43:12

PS já recebi o segundo CD obrigado!

 

Procissao1.JPG

sinto-me: Fotos padre Pedro
publicado por poetaromasi às 23:49
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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