DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Sexta-feira, 5 de Março de 2004

Fantasmas e almas do outro mundo

(foto de padre Pedro)


Contos da nossa Aldeia

Fantasmas e Almas do outro Mundo

Certa noite ao luar, indo os senhores, Francisco Antão e António Mendes de Oliveira, este ainda hoje vive e actualmente com 91 anos de idade, em direcção aos moinhos dos Valcerves e dos Coiceiros, propriedades que ficam juntas umas às outras. Quando passavam no sítio que tem o nome de Lomba, onde a estrada carreteira era mais larga e mais recta, viram à distância que vinha um vulto de dimensões um pouco anormais, talvez do tamanho de um burro, que ao luar lhes parecia de cor esbranquiçada.

Eles, temendo o encontro com tal “vulto”, saíram da estrada e esconderam-se na retaguarda de um ervedeiro, só daí saindo depois de o “vulto” passar em direcção à Povoação. Cheios de medo, finalmente, retomaram o seu caminho.

Meu pai, António Antunes Simões, que ainda estava à janela fumando um cigarro, viu o mesmo “vulto” descendo a encosta da Chã de Munha que fazia um grande barulho no seu andamento.

Chamou por minha mãe. - Maria anda ver.

O vulto desceu então a barroca e subiu em direcção à nossa casa, que era a última ao fundo do lugar.

Viram então que não se tratava de qualquer ser humano, pois passou entre a nossa casa e a casa do Tio José Ramos de Almeida e seguiu o caminho das Laranjeiras.

Pensando que de animal se tratava, meu pai não hesitou, e como era caçador, pegou na arma que tinha sempre carregado a um canto da casa, em ceroulas e descalço, abriu a porta da rua, que nesse tempo nem à chave se fechava, e correu atrás do “vulto”.

De arma em punho, correu atrás do “vulto” até às Laranjeiras, seguido da minha mãe que lhe rogava para não fazer fogo contra o “vulto”, visto não saber do que se tratava.

Mas meu pai, não acatando os pedidos de minha mãe, ainda premiu por duas vezes o gatilho, mas a arma não se disparou.

Voltaram para casa interrogando-se sobre o que teriam visto.

O mesmo vulto, percorreu ainda algumas vielas da povoação e seguiu o mesmo caminho por onde tinha vindo com uma pequena diferença, seguiu pelo lado do Pereiro, o caminho directo para a Lomba por onde já tinha passado.

À hora em que tudo isto se passou poucas foram as pessoas da Aldeia que deram por este fenómeno.

Na manhã seguinte, meu pai, pegou na arma e, com a mesma carga que tinha antes, fez um disparo sobre uma pedra de afiar ferramentas colocada sobre uma pequena parede no quintal.

A arma disparou, ficando a pedra toda crivada de furos com o chumbo que lhe bateu. Segundo estou informado essa pedra ainda existe, mas, colocada noutro local.

Este caso passou-se no ano de 1933, tinha eu 11 anos de idade. Meus pais já pouco tempo viveram, depois deste fenómeno se ter passado.

Meu pai faleceu no ano seguinte, a 29 de Setembro de 1934 e minha mãe faleceu a 12 de Março de 1938.

Certo é que ainda hoje me interrogo. Afinal de que “vulto” se tratava.

 José Augusto Simões

1999

sinto-me: FANTASMAS??
publicado por poetaromasi às 20:58
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1 comentário:
De juliane a 5 de Janeiro de 2013 às 14:14
acho que so podia ser uma alma do outro mundo

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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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