DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Sexta-feira, 27 de Agosto de 2004

Festa da Póvoa

 

(Foto cedida pelo Padre Pedro)

A festa de Santa Eufémia padroeira da nossa aldeia

 

A festa da nossa aldeia - A Póvoa - Pampilhosa da Serra, era sempre realizada no dia 3 de Setembro.

Foi sempre assim, pelo menos enquanto eu lá vivi, até aos 14 anos de idade, idade que tinha quando vim para Lisboa.

Quando vim para Lisboa já o meu pai tinha falecido, no dia 29 de Setembro de 1934, tinha eu 12 anos de idade. A última vez que vi minha mãe foi em Dezembro de 1938. Como estava gravemente doente, ainda veio para Lisboa, onde esteve um mês, indo todos os dias ao tratamento no hospital de Palhavã mas de nada lhe valeu.

No princípio de Janeiro de 1938 regressou à Póvoa, falecendo a um Sábado, no dia 12 de Março do mesmo ano, tinha eu 15 anos.

Quando eu fui à inspecção militar, em Julho de 1942, ainda a festa se realizava no dia 3 de Setembro.

Como fiquei apurado e a minha irmã Laura já estava casada, lá fiquei a viver até ao dia 26 de Março de 1943 dia em que fui para a tropa.

Fui licenciado em Dezembro e lá estive até ao dia 16 de Fevereiro de 1944, dia em que regressei a Lisboa definitivamente.

Nesse tempo a festa era um dia de grande pompa e alegria para a juventude.

Juntavam-se lá, nesse dia festivo, muitas pessoas que se tinham ausentado, assim como pessoas de outras aldeias, que iam passar esses dias com as suas famílias.

Nas vésperas da festa, quase todas as pessoas mandavam matar uma cabra, do seu rebanho, ao negociante de gado.

Outras compravam a carne necessária para esses dias de festa.

Outros faziam a troca de um carneiro por uma cabra, que o negociante matava, esfolava e desmanchava. Em troca do trabalho davam a pele do animal que ele pendurava numa corda para secar.

Nesse tempo quem se dedicava a esse trabalho e negócio eram o senhor António Brás, Francisco Brás e o senhor Manuel Ramos, todos naturais da Aldeia Velha, freguesia do Colmeal – Góis.

Em vésperas da festa, as donas de casa, cortavam a carne que colocavam dentro de uma gamela em pequenos pedaços.

Faziam um molho especial: a carne ficava toda alagada em vinho e água à qual juntavam bastante alho picado, colorau doce, picante, louro, cravinho e folhas de ervas aromáticas. Este preparado ficava toda a noite a marinar e só no dia da festa, de manhã, era colocada com o respectivo molho em caçoilas - de barro preto que levavam ao forno até a carne ficar bem cozida. Os presuntos da cabra eram assados inteiros, mas, com o mesmo molho. Assim ficava a chanfana - uma autêntica especialidade.

Nos dias de hoje, talvez já não se consigam fazer da mesma maneira antiga.

Mas não havia só isso. Matavam galinhas e ainda havia a carne de porco.

Havia queijo da serra, queijo picante que compravam ao senhor José da Camila da Pampilhosa da Serra. Era esse o seu negócio!

Mas também havia queijo fabricado na aldeia que era feito com leite dos seus rebanhos.

Doces, pão-de-ló, bolo doce, arroz doce, tigeladas, sonhos, filhós e outras iguarias.

No dia 3 de Setembro de manhã lançavam-se os foguetes e morteiros para assinalar a festa, assim continuando por diversas vezes.

Durante o dia, depois do almoço, isto é, da parte de tarde e à noite, rapazes e raparigas e muitas pessoas com mais idade, cantavam e dançavam ao toque de guitarras e ferrinhos.

Havia na Póvoa bons artistas a tocar guitarra e harmónio, principalmente o meu pai e o meu primo José Maria dos Santos e outros. Eram eles, e já não eram jovens, que abrilhantavam os bailes para que todos se divertissem.

No entanto, as pessoas que citei nem sempre todas estiveram no dia de festa. Meu pai trabalhava na estiva em Lisboa e por vezes à noite tocava guitarra nas tabernas onde também se cantava o fado.

No dia 4 de Setembro os homens, que lá passavam a festa, andavam de casa em casa comendo e bebendo quase todo o dia.

Era uma verdadeira amizade e assim se acabava a festa

Tenho dito.

José Augusto Simões

14-08-2001

sinto-me: Foto cedida por padre Pedro
publicado por poetaromasi às 00:28
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1 comentário:
De Prue** a 3 de Setembro de 2004 às 03:19
Olá... adorei sua visita, e entendo quem seja fiel qto a imagem do blog, acho q tudo é valido desde q nos deixe feliz.....vi que mora em Portugal e tenho que confessar q sou apaixonada por esse País, adoro a musica, fado é maravilhoso, adoro a culinaria adoro as pessoas e minha proxima viagem será p/ ai, se tudo der certo!!!! e de carro!! pq quero conhecer cada cantinho....seja muito bem vindo ao mundo das Pecadoras ok? te aguardo... bjos enormes...Prue**

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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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