DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Memórias de um poeta

(Foto de Romasi)

MEMÓRIAS do um filho de UM POETA

(Rogério Martins Simões)

Em Março de 2004, como muitos o sabem, embarquei nesta aventura dar a conhecer a minha poesia.

Ao longo dos últimos 16 meses fui resistido à tentação do fogo e isso devo a vós - a todos aqueles que me lêem, quase um milhão de acessos.

Só quem a escreve; só quem é o seu autor, tem o direito de a rasgar ou de a queimar.

Sou contra todo o outro tipo de fogueira, mas isso não são contas do meu presente rosário.

Comecei bem cedo a escrever poesia por culpa do meu querido pai e do ar contemplativo de minha mãe que não sabia, nem sabe, escrever - mas isso são contas de outro rosário - pois à mulher era quase negado o direito a estudar.

Dizia eu, ou estava para dizer, vivi numa humilde casa em Lisboa, paredes-meias com a feira-da-ladra, onde fui crescendo, escutando e vendo.

Comecei por aprender que a poesia cresce com a alma e escreve-se com amor e isto ensinou-me o meu querido pai: José Augusto Simões. Homem culto, simples, honesto, solidário, bom marido e bom pai.

Sobre o meu pai já escrevi o “insuficiente”, pois, todas as palavras ou poemas não chegam para lhe dedicar.

Nasci em Julho de 1949 e nos anos 50 eu era menino.

A casa de meus pais, nesse tempo, fervilhava de familiares e amigos que deixavam as suas aldeias, na Beira Baixa, em busca de uma vida melhor. Meu pai e minha mãe recebiam-nos cedendo, a sua própria cama. E foi assim até há poucos anos.

Dormia-se por tudo que era canto - por turnos - "pouca sorte partir; pouca sorte chegar"

Meu pai era um humilde comerciante de sacos usados, nada tinha e tudo dava. Sabia de tudo, tudo sabia; tivesse eu a sua brilhante memória. Não conheço ou conheci, sem qualquer favoritismo ou por simples acto de amor, algo semelhante, pois, ainda a conserva viva e activa apesar de ter nascido em 1922.

A minha mãe aceitava tudo o que o meu pai fazia e davam tudo sem nada em troca.

À noite - mesa cheia - naquela mais humilde casa - escutava histórias de fantasia e de encantar e muita poesia, declamado por meu pai, que todos com prazer escutavam.

Sabia de cor todos os livros por onde estudou e a poesia que neles conheceu e decorou. Depois, vinham todas noites rezar sobre a minha cabeça. (Tenho orações lindas com mais de 200 anos)

Fui crescendo, (não vos quero maçar), e, para abreviar, iniciei-me na poesia pela caneta de meu pai. Eu, ou melhor - meu pai - ganhava todos os prémios sobre poesia nas escolas por onde andei.

Nos anos de 60 do século passado escrevi, por minha mão, os meus primeiros poemas com a alma do meu pai. Já nesse tempo, a minha poesia a nascer, mergulhava na tristeza e cantava a vida com as cores do dia-a-dia. Cantava o que via ou o que não deveria e o que via era triste - mas isso são contas de outro rosário - pois, tudo era proibido.

Contaram-me, certo dia, que nas paredes do Aljube estava escrito com tinta vermelha de sangue a palavra LIBERDADE. A partir daí comecei a soletrar as letras do Zeca Afonso, do Adriano Correia de Oliveira, do Luís Cília do José Mário Branco e outros como o Sérgio Godinho e passei a militar na JOC (Juventude Operária Católica).

Aprendi que a poesia, escrita com a alma e com amor, tinha de ser disfarçada como se faz no contrabando.

Daí em diante era assim: poesia para lerem era escrita por metáfora. A outra, a Poesia era para esconder, mas, às vezes, arriscava.

Ao longo da minha vida escrevi mais de 11 livros de poesia que fui rasgando ou queimando ao sabor dos amores, desamores e erros meus.

Pouco resta! Duas pastas velhas que fui escondendo dos ímpetos do coração

Sobraram poucos, não os vou rasgar porque apesar da sua fraca qualidade têm a alma de meu pai e muitas imagens que pintei desses tempos.

Acabo com duas quadras que me recordo, nem estavam escritas, mas o poema está incompleto:

Sentado em minha cama

Entre lágrimas e pranto

Eu pergunto a Deus

Porquê chorar tanto

Se há tanta gente alegre

Por esse mundo além

Eu aqui penso e choro

Choro mais que ninguém!

1964

 

Vou terminar senão não paro de escrever as memórias…

Com estas palavras apenas vos quero dizer quanto amo a poesia, os poetas, e o meu mestre: O meu pai, o aluno brilhante, 3 vezes prémio escolar, do melhor aluno, na Pampilhosa da Serra.

Saudades

06-10-2005 21:45

 

sinto-me: Memórias
publicado por poetaromasi às 19:44
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1 comentário:
De Paula Raposo a 8 de Janeiro de 2007 às 17:24
Sem palavras.

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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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