DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

João Nunes Almeida (TI João Barbeiro) resposta a um comentário

João Nunes Almeida (TI João barbeiro) pelo Dr. J. Martins Nunes

 

Coloco aqui em lugar de destaque o comentário recebido neste blog do Médico de Coimbra, Dr. J. Martins.

 

 

Foi por acaso que entrei no vosso site e creiam que me lembrei muito da minha família e das minhas origens.

A minha mãe Maria Delfina Martins (nunes) com 92 anos, nasceu em Ádela, filha de Maria Delfina (irmã da tia Elvira Piedade, mulher de João Nunes Almeida) e de António Alexandre Martins.

A minha avó Maria Delfina nasceu no Vale de Carvalho e casou em Ádela. A minha mãe casou em Àdela com José Nunes Júnior e foram viver, primeiro para Lisboa e depois para Faro. O meu pai faleceu em Faro em 1991 e a minha mãe ainda é viva e reside em Faro com uma sobrinha (filha de Manuel Baeta Ramos do Vale Carvalho).

Eu sou o único filho (o meu irmão faleceu com 24 anos) e resido em Coimbra, onde exerço a profissão de médico. A minha mãe fala ainda hoje muito no "Tio João da Póvoa" e conta muitas histórias. Está muito bem com os seus 92 anos e ficou muito contente de lhe ler o texto do tio João.
J. Martins Nunes

 

Boa tarde Dr. Martins Nunes,

Quando há anos criei este blog para os contos e as vivências do meu pai, José Augusto Simões, esperava, ou melhor ansiava, congregar à sua volta testemunhos como o seu. Que mais não fosse só este seu testemunho valeu a pena a minha missão.

Conheci o seu tio o “João Barbeiro” da Póvoa, bem como a senhora sua tia Elvira Piedade. Melhor o conheceu meu pai. Porém sempre que ia à Póvoa, era muito novo, deliciava-me a escutar os feitos do seu tio nomeadamente o autêntico milagre na cura do pé esmagado da minha tia Soledade Simões.

 

Há uns anos no meu blog “Poemas de Amor E Dor” escrevi um texto que dediquei ao Ti João Barbeiro intitulado o “António Barbeiro”. Hoje resolvo colocar aqui esse trabalho que foi continuado no Brasil.

 

Um abraço e espero que os descendentes deste grande HOMEM entrem em contacto consigo.

Rogério Martins Simões

 

 

 

 

 

 

Maria.

Espero que ao receberes esta carta estejas bem que nós por cá vamos na graça de Deus.

Recebi a tua última carta onde me dizias palavras lindas, como só tu sabes dizer, e com ela vinha a senha para levantar o cabaz das mercearias que nos mandaste pela camioneta.

Já recebemos a encomenda, estava tudo bem, mas escusavas de te incomodar.

Aqui na terra tudo vai como no costume.

A cabra da Ti Rosário entrou na horta e foi dar cabo da vinha do tê pai.

Ouvimos dizer que o Ti Chico fugiu para França. Que raio é que deu ao homem que tinha aqui tanto mato para roçar.

O Zé do fundo do lugar, coitado, é que não teve a mesma sorte. A família dele está de luto! Morreu de uma bala ao atravessar a fronteira. Mas esse, coitado, não tinha aqui nada para comer. Agora que vai ser dos filhos dele. É assim! Temos de nos conformar…

Maria! Vieram-me contar, (aqui na terra há cá umas mexeriqueiras), que estás apaixonada e que até lhe escreveste, numa carta, umas sem vergonhas.

Vê lá que eu nem queria acreditar. A TI Aninhas, que é cá uma coscuvilheira, pediu ao primo que trabalha aí em Lisboa para descobrir se era verdade.

Sabes lá: o Ti Manel da estiva, que é um magano, roubou a carta ao teu namorado.

Maria - nem sabes a vergonha por que estamos a passar. Ainda se fosses um rapaz... mas logo uma menina tão bem educada que fez a comunhão e tudo

Aproveito para te mandar uma cópia da carta que o barbeiro copiou.

Vê lá se foste tu que a escreveste, pois quero desmentir o povo.

Desculpa a letra mas o Ti António barbeiro cortou-se na navalha.

Por hoje não tenho mais para te dizer. Espero a tua resposta na volta do correio.

Beijos da tua mãe

 

 

 

                      Estes desenhos da alma foram construídos a partir de um comentário que escrevi directamente a um texto, lindo de amor, que a amiga Maria do saudoso blog “Cumplicidades” escreveu.

 

 

Só por falta da sua autorização para transcrever o seu poema de amor escrito para a sua alma gémea, fez com que eu, narrador, não mostrasse o texto que o bom António “Barbeiro” copiou e que juntou à carta que foi remetida à Maria por sua mãe.
Ora vejam:
 
“Maria desculpa a letra e não ligues, tudo vai passar.
Ouvi dizer na Rádio Moscovo que a PIDE vai ser corrida pelos comunistas e que as mulheres irão votar.
Por favor queima a carta e manda-me um frasco de “Pitralon” que depois pago.
Este que se assina
António Barbeiro.
  
Mas a Maria já respondeu! E escreveu à sua mãe uma linda carta.
Afinal, porque estava na Cidade, não se preocupou com as “linguareiras”
 
Resposta da Maria na volta do correio
Mãe, Sim estou apaixonada. A carta que te chegou às mãos, minha querida mãe, fala de um amor imenso, puro e que me faz tão feliz. Por isso minha mãe te peço, fica feliz por a tua filha conhecer o amor, por a tua filha se viver em felicidade.
Sabes mãe, não conheço outra forma de viver que não através dele, e isso minha mãe, aprendi contigo. Por isso te peço, ignora o povo, e não sintas nunca vergonha. O amor não se vive dela. Nada do que consta nessa carta são sem vergonhas, minha mãe.
Lê, repara em cada palavra, em cada sentir que elas revelam, não é isso que é a vida minha mãe?
Não é assim que deveríamos todos viver, no amor? Acredito que se todos se vivessem nele, saberiam compreender, e com toda a certeza o mundo seria muito mais humano, estariam todos muito mais disponíveis para os outros. Não concordas? Não desmintas, mãe. Confirma que foi a tua filha que a escreveu. E não ligues à voz do povo, o importante não é que saibas que a tua filha, está bem? Da filha que te ama...
(Resposta escrita por Maria Branco, Blog Cumplicidades, a quem agradeço)
 
-Maria esqueceste o “Petralon” para a barba e que o Ti António Barbeiro pediu.
Mas o bom António quando a carta chegou já não a leu.
O narrador volta a chamar pelo poeta
 

P.S:

Aos Homens grandes

O António que escreveu as cartas à Maria era um homem notável: barbeiro de profissão; médico-enfermeiro nas horas vagas.

António foi buscar o saber aos velhos livros de medicina, e, porque era letrado - poucos na sua Aldeia aprenderam a escrever - lia e escrevia as cartas do povo que não sabia ler nem escrever.

Mas o António “Barbeiro” gostava de ouvir!

 (Os barbeiros escutam sempre e nem sussurram as confidências!),

E mal tarde tardasse a noite, pé ante pé como se fosse um salteador, acendia o velho aparelho e de novo sintonizava a Rádio Moscovo.

António era um homem prevenido.

À noite colocava por cima do rádio um copo de água e se, no silêncio das quatro paredes, a telefonia emitisse uns silvos esquisitos, baixava o som até quase não se ouvir.

- Não viesse por ali algum “bufo” para o denunciar e agente da polícia política para o levar.

Mas o “Barbeiro” que sabia tanto procurava descobrir na onda curta, da telefonia, o que as emissoras oficiais não lhes contavam.

Foi assim que ouviu dizer, aos comunistas, que iriam libertar o povo e que as mulheres iriam votar

Talvez por isso, o António, barbeiro de profissão, enfermeiro e escritor nas horas vagas, escrevia abusivamente nas entrelinhas, algumas linhas, com recados pessoais para quem eram dirigidas as cartas.

Certa noite de intensa tempestade o António Barbeiro desapareceu e ninguém mais o viu vivo!

Dizem na Aldeia que conhecia os caminhos como ninguém!

(contos da alma e do poeta) Rogério Martins Simões(Desenhos da alma e do pensamento do poeta ao sabor da pena)

À Maria Branco o meu agradecimento por completar este diálogo.

Rogério Simões.

(Homenagem póstuma ao Ti João Barbeiro da Póvoa, amigo de meu pai e que ainda conheci)

(Todas estas fotografias foram cedidas pelo Sr. Padre Pedro da Pampilhosa da Serra)

 

O BARBEIRO

publicado por poetaromasi às 14:25
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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