DEDICATÓRIA

 

Um Povo só é grande quando tem história.

A Póvoa tem uma bonita história:

a riqueza e a pureza do seu povo.

Este foi o blog que construí para divulgar a tenacidade,

a luta, a inteligência e a honestidade do meu pai.

Graças a Deus ainda está lucidamente activo e vivo!

A sua memória é fantástica.

Amo muito o meu pai e se poeta sou a ele o devo.

José Augusto Simões Faleceu com 94 anos,

nasceu em 20 de Maio de 1922 e faleceu a 17 de Agosto de 2016

Esta é a homenagem e o agradecimento

 que presto a tão grande homem.

Seu filho

Rogério Martins Simões

Terça-feira, 12 de Setembro de 2017

Mãe

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Mãe

Rogério Martins Simões

 

No passado Domingo, 10 de setembro de 2017, quando a fui visitar ao Hospital da Universidade Coimbra, onde a minha mãe deu entrada, depois de ter sido assistida na Unidade de Cuidados de Saúde continuados da Pampilhosa da Serra, e nada mais ali poderem fazer. Estive mais de duas horas a falar consigo enquanto a mãe parecia dormir.

Ainda me pareceu que escutava, apesar de me ter apercebido que se encontrava muito pior de saúde. E foi naquele tempo em que estive junto e tão perto de si, minha mãe, que senti que me afogava com o peso das minhas lágrimas.

Foi nesse dia quando o seu estado de saúde se agravava, e quando consigo falava sem aparentemente me ouvir, que lhe repeti o que desde sempre lhe disse: Gosto tanto de si, minha tão querida mãe.

E no tempo em que estive junto de si, procurando suster as lágrimas que espreitavam, que lhe pedi perdão por qualquer coisa perdida no tempo, e lhe agradeci tantas voltas que deu à vida para me ajudar.

Por vezes bastava telefonar-lhe e passado pouco tempo tudo se tinha normalizado. Que poder Deus lhe deu, minha mãe. Afinal nem é preciso aprender a ler e a escrever para se falar, como a mãe sempre o fez, com o seu Deus ou com a terra-mãe que nos dá ou tira a vida. Por isso lhe digo: terá sido por acaso que, quando veio para Lisboa, a mãe conseguiu trazer consigo a sua aldeia à cabeça.

Sim, o pai tinha uma memória e uma inteligência invejável, porém por detrás de um grande homem estará sempre uma grande mulher e essa foi a minha mãe, uma enorme, nobre e extraordinária mulher.

Recordo que muito brincava com as situações mais embaraçosas, por isso transformava os espinhos em rosas. Não foi assim minha mãe?

Finalmente e por saber que neste momento deverá estar a ser submetida a uma perigosa operação, QUERO AGRADECER  A VIDA. E por não lhe ter lido este meu primeiro poema que lhe escrevi em 1967 aqui, em carta aberta, o deixo talvez na esperança de ainda ter a oportunidade de me ouvir dizer assim:

mãe

Rogério Martins Simões

 

Da semente da sua boca

Uma imagem

Subtil de encanto

Como as águas

Límpidas da fonte.

No silêncio

Da sua dor:

O espelho da eterna

Ternura de mãe.

1967

 

De novo, e na minha poesia mais recente, escrevi um outro poema para mais uma vez agradecer a vida. Com este poema pretendi recuar ao tempo em que me trazia consigo na barriga. Nasci em 5 de Julho de 1949 e terá sido assim:

 

FOI NUMA MADRUGADA DE JULHO

Rogério Martins Simões

 

Foi numa madrugada de julho:

Quando as estrelas

Se juntaram nos céus;

Quando o sol teimava

Em não arrefecer a noite,

E a lua irradiava

Confundindo

As mãos dos namorados…

 

Andava embalado

No colo de minha mãe.

E serenamente escutava,

Na fusão das águas,

O canto ameno que me embalava.

 

-Lembra-se minha mãe

Dos pontapés que eu lhe dava?

 

-Recorda-se minha mãe

De me ouvir chorar,

Quando sem ver

Me reconfortava

Passando docemente

A sua mão na barriga.

 

Ai como eu me sentia feliz

Com as suas carícias.

Ai como era feliz

Escutando o seu cantar.

 

Foi numa madrugada de julho

Quando a lua espreitava;

Quando a mãe terra me chamava;

Rompi as águas:

E tinha à espera estrelícias

Majestosamente

Espalhadas por seu corpo…

 

Foram tempos luminosos

Quando a natureza me pariu

E me trouxe de volta os olhos

Com que abracei, de novo, o Sol.

 

Lisboa, 29 de Janeiro de 2007

 

Simões, Rogério, in “GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO”,

(Chiado Editora, Lisboa, 1ª edição, 2014)

(Registado no Ministério da Cultura

Inspeção-Geral das Atividades Culturais I.G.A.C. Processo n.º 2079/09)

 

Mãe, enquanto escrevo a mãe deverá estar na mesa das operações. Por isso, mesmo sem me ouvir, apesar do enorme risco de vida que corre, só espero que tudo corra bem. Perdoe-me minha mãe mas não tínhamos maneira de evitar essa intervenção cirúrgica.

Por isso, e enquanto não posso falar consigo, vou deixar aqui algumas referências a si, para quem as quiser ler:

Falando de mãe, a minha é de facto um exemplo a seguir e que eu jamais esquecerei. Quando nasceu, em 1925, as mulheres não podiam estudar nem votar. Minha mãe trocou a Beira Serra – A Malhada – Colmeal, pela cidade de Lisboa.

A luta pela vida era tremenda! Levantavam-se pelas 4 horas da manhã, apanhavam o elétrico que os levava à Praça da Ribeira onde se abasteciam de legumes com que governavam a vida no mercado de Santa Clara. Era um tempo em que aqueles mercados pululavam de gente; em que os espaços reservados aos pequenos comerciantes (lugares e pedras) eram disputados e bem pagos nos leilões do Município de Lisboa.

 Antes trabalhar carregando duas sacas cruzadas à cabeça que andar a carregar mato e a passar fome, dizia minha mãe.

Minha mãe foi, e é uma mãe exemplar como muitas que viveram, e vivem, tempos difíceis.

Foi a minha mãe que me valeu desde 1970 até 1986 – sempre a caminho do hospital onde todos os anos era internado com problemas graves de saúde. Daí este poema:

 

ESTRELAS PARA SI, MINHA MÃE

Rogério Martins Simões

 

Mãe que não sabe ler nem escrever,

Mas conhece bem todos os meus ais.

Mãe que bem cedo teve de sofrer.

Mãe que tanto nos deu e tanto me dais.

 

Mãe! Por que não a deixaram aprender,

Se está sempre tão atenta aos sinais.

Mãe que doando me ensinou a viver,

Para que amando nos amemos mais.

 

E se o amor é o néctar da poesia,

Minha mãe, lhe dedico neste dia,

Estes sentidos versos do meu amar.

 

Mãe passe-me as suas mãos pelo meu peito,

Que este seu filho até já perdeu o jeito:

E tinha tanta estrela p´ra lhe dar.

 

Campimeco, Meco Café, 02/03/2016 22:14

 

E este mais antigo:

 

BEIJO AS SUAS MÃOS MINHA MÃE

Rogério Martins Simões

 

Mãe

Disse-me um dia a sorrir,

Que tantas noites a chorar,

Sem dormir,

Que me ia acariciar.

 

Mãos suaves

Embalando docemente

Meu berço.

E na sua boca um cantar

Cânticos ternos de embalar.

 

Ventos da mudança

Oh! Como os tempos

Não mudaram para si, minha mãe

Apenas se alterou o rosto.

 

Mãe!

Essas suas mãos doridas

Foram o sal das nossas vidas!

Beijo as suas mãos minha mãe.

1973

Depois, em 2002, mais ou menos, apareceu-me esta Parkinson.

Minha mãe passou a partir daí  a chorar e a rezar para que um milagre qualquer se dê.

Faz-me tanta falta minha mãe.

 

QUISERA ANDAR DE CARROSSEL

Rogério Martins Simões

 

Quisera andar de carrossel

Com um sorriso de criança que ri

Rosto rebuçado, melaços de mel

Laivos da festa que resta em ti…

 

Num dedo prendo o balão,

Com outro seguro o corcel

Soco a bola com a mão

As mãos, o rosto e a testa

Besunto-me todo com mel.

 

Solta-se dos dedos o balão

Que voa a caminho do céu

-Mãe! Vai-me apanhar

Um sorriso igual ao seu…

 

-Meu filho a mãe não sabe!

Ler, nunca aprendeu:

A mãe vai procurar

O balão que se perdeu…

 

-Mãe que sabe escutar,

Meus choros em seu coração

Abençoada o seja minha mãe

Por tudo o que foi e me deu!

 

Rodopiam as lembranças da festa

Para o movimento ondulante

Sujo-me de novo a cada instante…

Sem rebuçados com sabor a mel

Mas… Brinquei tanto no carrossel….

 

2005-10-20

 

Simões, Rogério, in “GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO”,

(Chiado Editora, Lisboa, 1ª edição, 2014)

 

Termino aqui este diálogo da minha alma.

Mãe, o peso deste meu sofrer é tanto que me afogo em lágrimas

Até já minha doce e tão querida mãe

Deste seu filho mais velho:

Rogério Martins Simões

Meco, Campimeco, 12/09/2017 04:26:46

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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

SIGA A FESTA (PAMPILHOSA DA SERRA)

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SIGA A FESTA

Rogério Martins Simões

 

Continuo a pensar que a promoção deste quase abandono das terras do interior – da Beira Serra – foi, e é um grave erro político.

Quem conhece a Pampilhosa da Serra sabe que a maior parte da população é constituída por idosos. Quem lá vive, e conheceu o "antigamente", repara, apesar de algumas melhorias levadas a termo pelas Comissões de Melhoramentos e pela Câmara Municipal, que a juventude tende a "fugir", como sempre…

 

O desenvolvimento de um turismo "de ar puro", de "pura água cristalina", irá ter no futuro um enorme incremento e a Beira Serra tem todas as condições para ser um dos locais preferidos.

Mas um desenvolvimento não se pode fazer sem ter em conta a preservação dos sinais, dos locais, dos vestígios culturais de um povo. Perdoem-me: fico muito triste ao ver casas medievais arrasadas sem intervenção arqueológica. Salvaguardando a existência de carta arqueológica do concelho, que desconheço; considerando as notícias e os documentos históricos que nos dão conta daqueles locais terem sido povoados por povos primitivos, uma questão paira na minha cabeça: onde para o espólio arqueológico do Concelho? Talvez o defeito seja meu – tenho participado desde 1961 em trabalhos arqueológicos nomesadamente medievais e olho os sítios de uma maneira diferente.

Talvez me preocupe demasiado… com estes assuntos. Porém, tomem a devida nota: daqui a alguns séculos haverá pelas serras grupos de arqueólogos a procurarem o que indevidamente destruíram, deixaram destruir e irão destruir.

Não se culpe o povo! O povo que não dá valor a cacos velhos partidos.

- Ainda que fosse algum tesouro!?

O maior tesouro da Pampilhosa está no seu povo e nos sinais da sua presença – na sua riqueza cultural que se vai definitivamente arrasando.

Deixando estas considerações o Concelho da Pampilhosa da Serra carece de mais infraestruturas, de estradas sem curvas a ligar às grandes redes viárias. O Concelho na Pampilhosa da Serra, a Beira Serra, apesar de ser o pulmão de Portugal, e fonte quase inesgotável da água que abastece Lisboa e não só, não foi, nem é compensado, bem pelo contrário: é simplesmente votado ao abandono. Mais uma vez lhes digo: virá o dia em que a água terá mais valor que o então extinto petróleo e o ar será disputado pelos povos.

O Lar da Santa Casa da Misericórdia da Pampilhosa da Serra e a fixação de idosos às suas velhas aldeias é um exemplo a seguir e a fomentar. Existe acompanhamento e assistência no domicílio a idosos que, assim, continuam ligados às suas aldeias. Seguindo esta ideia, sabendo e conhecendo que muitas aldeias já estão abandonadas definitivamente, penso que poderiam ser apoiadas, essas aldeias e esses lugares, criando condições de vida para lá morarem os idosos que quisessem em vez de os colocarem em "silos". Falo concretamente em habitações - casas individuais ou coletivas com todas as condições. Falo em disporem de equipamentos de lazer, falo em investimento e em criação de postos de trabalho.

Dou mais uma vez o exemplo da aldeia onde meu pai nasceu, a PÓVOA. Os idosos que por lá vivem são bem mais felizes que os colocados em lares da terceira idade: Mulheres e homens jogam às cartas na casa do povo, semeiam e cultivam pequenas hortas próximas de casa e, agora que finalmente o Governo "acordou" para a injusta perseguição aos produtos tradicionais, talvez possam voltar a criar alguns animais para consumo caseiro, como sempre o povo criou.

Talvez volte a "petiscar" uma canja de galinha ou uns torresmos sem serem de "aviário".

Esta é a mensagem que vos quero deixar, num tempo de festas de verão, num tempo de aldeias e casas cheias. Pena que seja curto e novamente o povo trilhe os caminhos da diáspora.

Mas os tempos são de "mudança"! Siga a festa!

Lisboa, 5 de Agosto de 2008

Rogério Martins Simões

 

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Domingo, 12 de Março de 2017

A ESCOLA NOS ANOS 30 DO SÉCULO XX (Pampilhosa da Serra)

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A ESCOLA NOS ANOS 30 DO SÉCULO XX

José Augusto Simões

 

Por caminhos, mato e rochedo,

Com os livros dentro da sacola,

Que em dias de vendaval metia medo,

Sempre contentes para chegarem à escola.

 

Mais de uma légua era a jornada.

Mas as crianças gostavam de aprender:

Mesmo em dias de chuva e trovoada,

Corriam alegres sem nada temer.

 

Sempre prontos para sair da cama,

Mesmo a chover ninguém os detinha,

Assim levavam toda a semana,

Levando para o almoço: broa e sardinha.

 

Servia de escola uma casa antiga,

Sem eletricidade, água e sanitários,

As crianças chegavam sem qualquer fadiga…

Alegres faziam os seus trabalhos diários…

 

Mais de oitenta alunos, um só professor,

Quatro classes em cinquenta carteiras,

No final da primeira já era conhecedor:

Da matéria da quarta e das três primeiras.

 

Saída ao meio-dia de saco na mão

Na rua e no terreiro soltavam a asa…

Comem a broa sentados no chão

Os meninos da Vila almoçam em casa…

 

Depressa comem para pular!

A tudo o que vêm eles acham graça.

Inventam maneiras para brincar,

Todas as brincadeiras acabam na praça.

 

À uma hora já estão na escola,

Fazendo os trabalhos e tendo na ideia:

Que às três da tarde pegam na sacola,

Se juntam, e regressam à aldeia.

 

Tudo se passou nos anos trinta do século passado,

Eu era um desses alunos que ia para a escola,

De todo esse tempo estou bem lembrado:

Pudera eu hoje voltar a pegar na sacola…

 

Nunca mais me esqueço dessa escravidão

Descalço, molhado: fui mesmo um bravo

Comia a broa, e sardinha, sentado no chão

Hoje reconheço que era um escravo…

Lisboa, 5 de Novembro de 2011

(Memórias de José Augusto Simões quando frequentava a escola primária na Pampilhosa da Serra ou “POR CAMINHOS MATOS E ROCHEDOS” percurso diário entre a Póvoa e a Pampilhosa da Serra)

 

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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

POESIA NO PRATO

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POESIA NO PRATO

Rogério Martins Simões

 

Lembra-se, meu pai,

Quando à sua mesa

Nos trocava a sobremesa

Por poesia no prato…

 

Diga-me, agora, meu pai:

Se por aí há olhares desesperados,

Mãos crispadas,

Rezas nos dentes…

 

Diga-me meu pai:

Se o sofrimento é tão só por aqui;

Se nos céus são todos iguais;

Se as regras são transparentes;

E se no inferno só ardem os maus…

 

Diga-me meu pai:

Se aí há lugar para os dementes…

Para os falazes…

Para ricos

Para os capazes

Para pobres, ou doentes.

 

Diga-me meu pai:

Se há por aí poesia

Se já conhecem a magia

Dos seus contos de encantar.

 

Nada me diz, não importa…

Mas se o céu, para si, não for boato…

Terá sempre aberta a minha porta:

E esta saudade com a poesia no prato…

 

(Meco Café) Meco 12/12/2016 12:23:39

(Para publicar no próximo livro de poesia)

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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

SOL ou SOL DIVINO

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O SOL

José Augusto Simões

 

Sol divino, Sol divino

Lindo é vê-lo nascer

É mais um dia na vida

Deus nos dá para viver

 

Sol divino, Sol divino

Que ilumina toda a terra

Desde o mais profundo vale

Até ao mais alto da serra

 

Sol divino, Sol divino

Que nos dá tanta alegria

Acaba a noite cerrada

E irrompe o claro dia

 

Sol divino, Sol divino

Nos dá tanta beleza

É a estrela mais bela

Que nos dá a natureza:

 

Quando está ao pé do rio

Em cima de uma cascata

O fundo parece de ouro

A água da cor da prata

 

Todo o ser vivo se mexe

Quando vê nascer o Sol

Os passarinhos cantam

Trina o lindo rouxinol

 

 Rouxinol que bem cantas

Onde aprendeste a cantar?

- No cimo daquele salgueiro

Com os ramos a abanar!

 

Todas as aves cantam!

Cada qual com sua voz!

Eu já acompanhei o rio…

Da nascente até à foz

 

Estou velho! Tu és menino

Nunca irás envelhecer

Sol divino, Sol divino

Sem ti não posso viver

 

Lisboa, 25/9/2007

 

DEDICADO AO POVO DE PRAÇAIS

PAMPILHOSA DA SERRA

 

Com este poema, do meu querido e falecido pai, pretendo agradecer a todos – e foram muitos – Que me enviaram mensagens de condolências. Assim, na impossibilidade de me dirigir a cada um de vós, e por acreditar que meu pai está na luz, nada melhor que reeditar o seu poema “Sol” Divino de José Augusto Simões.

 

E a mim, seu filho, cabe-me dedicar a meu pai o meu poema: POETA ESTAIS DE PARTIDA

 

POETA! ESTAIS DE PARTIDA

 

Retomo a minha viagem,

E peço aos céus a coragem,

Para enfrentar a descida…

Parte barco numa onda:

Que o meu corpo se esconda

Do aceno na despedida.

 

Vai o barco a soluçar,

E no cais fica a chorar

Uma lágrima despida…

Mar que bem cedo se agita,

Que chama o arrais que grita:

Poeta! Estais de partida…

 

Meu barco que não comando

Diz, aos céus, por seu desmando

Que a viagem acaba ali…

E a alma vendo-me triste,

Solta o corpo que resiste,

Olha o meu barco, e sorri…

 

Praia das Bicas, Meco, 07-10-2011 20:00:42

 

Simões, Rogério, in “GOLPE DE ASA NO SEQUEIRO”,

(Chiado Editora, Lisboa, 1ª edição, 2014)

 

 

 

 

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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Minha mãe mandou-me à Vila

 

 

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Quarta-feira, 1 de Junho de 2016

Ramos a minha família da Pampilhosa da Serra - Póvoa

RAMOS

A minha família, da Pampilhosa da Serra, do lugar da Póvoa.

 

Tendo por base o excelente trabalho do meu pai, José Augusto Simões, que nasceu no lugar da Póvoa em 1922; Considerando as novas tecnologias de informação que os utilizadores da internet têm à sua disposição, nomeadamente o acesso às bases de dado do site http://etombo.com, foi possível reconstruir com maior rigor a linha parental da família Ramos a que pertenço. Assim, embora da minha parte ainda não a possa dar como finda, apresento o trabalho iniciado por meu pai com algumas novidades.

Consegui localizar o registo de batismo do meu bisavô paterno, JOÃO ANTÓNIO que nasceu na Póvoa em 1794. João António era filho de JOÃO ANTÓNIO, natural do lugar de PESCANSECO do MEIO, casado com LUÍSA MARIA NUNES, natural da Póvoa. João António (filho) casou com a minha bisavó MARIA RAMOS. A minha bisavó Maria Ramos terá supostamente nascido no lugar de ALDEIA DO MEIO, filha de FRANCISCO RAMOS, natural da Aldeia do Meio e de ANA MARIA, natural da ALDEIA FUNDEIRA.

Desde sempre estranhei que o meu bisavô João António tivesse apenas dois filhos. Na verdade consegui descobrir mais 3 filhos, os abaixo identificados, passando de dois para cinco o que era normal à época.

Finalmente, como metodologia, passarei a colocar letras nos nomes das gerações mais antigas que descobrir. Assim darei a letra A) ao pai do meu bisavô João António, casado com Luísa Maria Nunes. Dado que consegui descobrir o registo de nascimento de João António (filho) foi possível identificar os nomes dos seus pais e avós.

Dado que o autor deste trabalho é meu pai, seguidamente, mantenho as relações de parentesco relacionadas com meu pai – José Augusto Simões.

Mais uma vez solicito aos descendentes desta linha dos Ramos da Póvoa, Moninho e da Aldeia do Meio para me ajudarem a preencher alguns espaços.

Meco, 15-08-2011 18:11:48

Rogério Martins Simões

 

Assim, passo a palavra ao meu querido pai:

A família do meu avô materno, Francisco António Ramos, era da Póvoa.

A minha avó materna, Antónia de Almeida, mãe de minha mãe, Maria da Ascensão Ramos, era da família Almeida de Moninho.

Moninho, terra querida, onde só 4 famílias não pertenciam à minha descendência.

De acordo com um testamento, cujo documento se encontra na posse do meu filho, os meus bisavôs, por parte de minha mãe, são João António e Maria Ramos.

João António era irmão de Joaquina Luiza, http://193.137.201.198/pesquisa/ODDisplay.aspx?move=next&DOId=3748&NodeID=_317637 com a profissão de “fiadeira” que nasceu na Póvoa em 1801 e era casada com Manuel Pedro e não tiveram filhos.

Parece-me, lendo aqueles documentos, que Maria Ramos, minha Bisavó, terá casado na Póvoa com o meu bisavô João António que era da Póvoa.

A verdade é que Joaquina Luiza deixou em testamento aos seus sobrinhos e meus avós, Francisco António Ramos e Antónia de Almeida, as propriedades que possuía, nomeadamente, uma terra de milho na chamada “Quebrada” e uma barroca com seis castanheiros e duas testadas, num lugar a que chamam “Vale da Maia”, adquiridas a Manuel Barata e sua mulher Joana Gonçalves.

 

 

  1. MANUEL ANTÓNIO, casado com LUÍSA DE ALMEIDA. (desconheço ainda as datas dos nascimentos)

 

  1. JOÃO ANTÓNIO, natural de PESCANSECO DO MEIO, casado com LUÍSA MARIA NUNES, da PÓVOA, pais de JOÃO ANTÓNIO, do lugar da Póvoa. (Luísa Maria Nunes, era filha de JOÃO DE ALMEIDA e de MARIA NUNES, da Póvoa).

http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657929

localizei 5 filhos:

B1 João António, nasceu na Póvoa em 1794 (VER C)

B2 António, nasceu 1797 na Póvoa

B3 Leonor, nasceu em 1798 na Póvoa

B4 Joaquina Luísa que nasceu em 1801 na Póvoa

B5 Manuel António, nasceu na Póvoa em 1804

 

  1. JOÃO ANTÓNIO, natural da Póvoa, filho de João António e de Luísa Maria Nunes, nasceu em 1794 na Póvoa, http://193.137.201.198/pesquisa/ODdisplay.aspx?DOId=3748&NodeID=_317582  casado com MARIA RAMOS, (FRANCISCO RAMOS, natural da Aldeia do Meio e casado com Ana Maria do local de Aldeia Fundeira, são os pais de Maria Ramos. ) e tiveram 5 filhos:

 

 

  1. Maria, que nasceu na Póvoa a 15/7/1828. http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657774
  2. António de Almeida, que nasceu na Póvoa a 29/11/1830. Profissão sapateiro http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657815
    • Antónia, que nasceu em Moninho no dia 28/01/1867, registo 218, filho de António Almeida da Póvoa e de Maria Almeida de Moninho, Neto paterno de João António e Maria Ramos, da Póvoa, materno Manuel Lopes e Maria Almeida.

 

  • Francisco, que nasceu em Moninho no dia 18/02/1868, registo 261, filho de António Almeida da Póvoa e de Maria Almeida de Moninho, Neto paterno de João António e Maria Ramos, da Póvoa, materno Manuel Lopes e Maria Almeida.

 

  • João de Almeida, filho de António de Almeida e de Maria de Almeida, nasceu em Moninho em 1870, neto de paterno de João António, e Maria Ramos. Neto materno de Manuel Lopes e Maria de Almeida.
  1. Antónia, que nasceu na póvoa a 28/8/1833. http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657854
  2. JOSÉ RAMOS, nasceu a 5/4/1835, casado com Antónia de Jesus. Os meus tios-avós (irmão do meu avô Francisco António Ramos) tiveram 4 filhos. http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657882

 

  1. António Maria Ramos, casou com Maria da Trindade e teve 6 filhos:
    • José Maria Ramos nasceu a 5 de Junho de 1916 e faleceu a 7 de Abril de 1991;
    • Albano Lopes Ramos nasceu a 15/8/1919 e faleceu a 21/5/1986;
    • António Maria Ramos nasceu a 9/11/1921;
    • Eduardo Ramos nasceu a 12/10/1924;
    • Alberto Ramos nasceu a 7/4/1933;
    • Maria dos Anjos Ramos nasceu a 25/11/1935
  2. José Maria Ramos casou em Pescanseco e teve 5 filhos;
    • Manuel Ramos;
    • José Ramos;
    • Joaquim Ramos;
  3. Bernardina de Jesus Ramos, nasceu na Póvoa a 5/12/1873 casou com José Gonçalves e tiveram 3 filhos: http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=3761&FileID=318374
    • Maria Gonçalves nasceu em 1907;
    • Manuel Gonçalves nasceu em 1910;
    • Maria da Encarnação Gonçalves nasceu em 1912.
  4. Maria de Jesus Ramos, casou na Ribeira de Praçais e teve 5 filhos:
    • José Ramos;
    • Eduardo Ramos;
    • Francisco Ramos;
    • António Ramos;
    • Amália Ramos.
  5. Antónia Ramos (Tonita do Vale) não deixou descendentes. Nasceu na Póvoa a 19/1/1886 http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=3761&FileID=318441

 

  1. FRANCISCO ANTÓNIO RAMOS, nasceu na Póvoa a 24/2/1839. Filho de João António da Póvoa e Maria Ramos da Aldeia Fundeira. Neto paterno de João António, natural de Pescanseco do Meio, e Luísa Nunes da Póvoa. Neto materno de Francisco Ramos da Aldeia do Meio e Ana Maria de Aldeia Fundeira http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657929 e casada com ANTÓNIA GONÇALVES DE ALMEIDA, nasceu em Moninho a 1/6/1836. Filha de João Rodrigues e Maria de Almeida de Moninho. Neta paterna de Custódio Rodrigues, de Pessegueiro de Baixo e Maria Henriques, do Coelhal. Neta materna de Francisco de Almeida, natural da Moninho e Josefa Gonçalves, natural das Moradias.

http://193.137.201.198/pesquisa/ImageFullScreen.aspx?DOId=11906&FileID=657895

(Os meus avós) tiveram 3 filhos:

 

 

  • JOSÉ RAMOS DE ALMEIDA, meu tio, que nasceu em 17/9/1877 e faleceu em 6/6/1966. Era casado com Palmira da Conceição, que nasceu na Póvoa em 1894 e tiveram 4 filhos:
    • José Augusto Ramos de Almeida nasceu em 14/10/1917;
    • Maria dos Anjos Ramos nasceu a 1/7/1921;
    • Laura Ramos (Laurita) nasceu 11/8/1922;
    • Eduardo Ramos de Almeida nasceu em 11/12/1930.
  • MARIA DA ASCENSÃO RAMOS, minha mãe, que nasceu em 6 de Janeiro de 1882 e faleceu em 12 de Março de 1938. http://193.137.201.198/pesquisa//ImageFullScreen.aspx?DOId=11907&FileID=658224 Avós maternos: JOÃO RODRIGUES E MARIA GONÇALVES DE ALMEIDA. Casou com meu pai ANTÓNIO ANTUNES SIMÕES que nasceu a 24/03/1880 e do seu casamento tiveram 5 filhos:
    • Maria da Nazaré Simões, nascida a 21 de Abril de 1913 e faleceu a 22 de Janeiro de 1975;
    • José Maria Simões, nasceu em 1915 e faleceu em 1920;
    • Laura da Conceição Simões nasceu em 1917 e faleceu nesse ano com 7 meses;
    • Laura da Conceição Simões nasceu a 4 de Dezembro de 1919 e faleceu em 25 de Abril de 1997;
    • José Augusto Simões nasceu em 20 de Maio às 5,30 da manhã, mas, por engano, estou registado como tendo nascido em 19 de Maio de 1922.

 

Em memória da minha mãe Maria Ascensão Ramos

 

José Augusto Simões

2004-02-23

Atualizado em 15-08-2011 18:19:37

 

publicado por poetaromasi às 20:50
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Terça-feira, 26 de Maio de 2015

Perdi-me na floresta

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PERDI-ME NA FLORESTA

José Augusto Simões

 

Entrei um dia numa floresta

Para ver as árvores floridas

Acabei por fazer a sesta

Depois de tantas fadigas.

 

Assim de tanto eu andar

No meio daquele arvoredo

Deitei-me a descansar

E comecei a sentir medo.

 

Já não sabia onde estava.

Não reparei no caminho.

Queria ver o que gostava,

Mas estava ali sozinho.

 

A noite estava a chegar,

Não sabia por onde sair,

Estava quase a chorar,

Não sabia onde dormir.

 

Depois de tanto pensar

Uma voz perto me disse

- Eu te irei ajudar

Não caías noutra tolice.

 

Apareceu uma velhinha

Que a sorrir mais falou:

A floresta é toda minha,

Mas, não te digo quem sou.

 

Foi num dia de primavera,

Recordo-me de a ver sorrir.

Nunca soube quem ela era,

E eu não estava a dormir…

 

Lisboa, 6 de agosto de 2013

 

publicado por poetaromasi às 21:10
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Quarta-feira, 13 de Maio de 2015

SAUDADE

 

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 (Foto de  Padre Pedro)

 

SAUDADE

José Augusto Simões

 

Falei à serra da Amarela

Que respondeu a chorar

Uma menina tão bela

Já ninguém a quer amar

 

Foste por Deus aí colocada

Ninguém te irá esquecer

Por todos serás amada

OH! Serra não vais morrer.

 

Conhecem o teu valor

Todos te veem com agrado

Agradecem e dão louvor

O pasto que deste ao gado

 

Tanta gente por ti passou

Por essa serra pitoresca

Por momentos se sentou

Tu lhe deste água fresca

 

Eu que nunca fui pastor

Por ti fiquei enfeitiçado

Ia ver-te por amor

E fiquei teu namorado

 

Tu me conheces de criança

Ia ver-te com alegria

Fiz contigo uma aliança

Para ver voar a cotovia

 

Já não vejo os pastorinhos

Que tu vias com agrado

Só existem os passarinhos

Na serra acabou o gado

 

Já não te posso visitar

Como em criança o fazia

Para ver as lebres saltar

E ouvir o piar da cotovia

 

Estou velho, vivo na cidade,

Escrevo-te estas linhas

São versos de saudade

Chorando saudades minhas.

Lisboa, 3 de Setembro de 2011

 

publicado por poetaromasi às 22:17
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Sábado, 7 de Março de 2015

Meu amor deu-me uma rosa

flormeco 049.JPG

 

MEU AMOR DEU-ME UMA ROSA

José Augusto Simões

 

Meu amor deu-me uma rosa

Do jardim da sua mãe:

Uma rosa tão mimosa

Nem sei o valor que tem.

 

Eu tinha a rosa na mão

Não sabia onde a guardar

Guardo-a no teu coração

Enquanto a rosa cheirar.

 

Se a tiro da minha mão

Outras a podem cheirar

- Eu só tenho um coração

Guardado para te dar.

 

Se me deres o teu coração

O teu ao meu vou juntar:

Assim, num só coração

No meu jardim vou guardar.

 

O jardim da minha mãe

Não tem rosas ao luar

Só tinha a que te dei, meu bem

Já não tem outra para dar.

 

Lisboa 4 de agosto de 2013

publicado por poetaromasi às 15:49
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Todos os poemas escritos e publicados neste blog

da autoria de Rogério Martins Simões,

ou sob pseudónimo, ROMASI,

estão devidamente protegidos pelos direitos de autor.

(Registados no Ministério da Cultura

- Inspecção-Geral das Actividades Culturais I.G.A.C. –

Processo n.º 2079/09)






Memórias e poesia de um Beirão

nascido em Maio de 1922.

.Poesia e muita sabedoria de um poeta serrano com 91 anos



Obrigado pela visita ao blog do meu pai,

homem notável, impedido de estudar

por ter ficado órfão de pai e mãe aos 14 anos.

A sua memória é notável

sabe de tudo

é uma casa cheia!

Viva a poesia.

e se a vida não nos conhecer

porque nos esqueceu,

lembremos à vida que existimos e vivemos.

Obriga meu querido pai

por me ter ensinado

a escrever poesia

Seu filho, vosso filho

Rogério Martins Simões



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